Se o critério fosse apenas o gosto, talvez houvesse empate. Mas quando mergulhamos na simbologia, na história e até na ciência, a maçã assume uma posição muito mais intrigante — e, sim, poderosa.
História – Eva não ofereceu um morango no Éden: foi uma maçã que marcou a queda (ou o despertar) da humanidade.
Conto de fadas – quando a bruxa má quis adormecer Branca de Neve, não escolheu uma frutinha delicada — e sim uma maçã envenenada, bela por fora, perigosa por dentro. É sempre a maçã que carrega dualidade: desejo e risco, conhecimento e punição.
Ciência – foi uma maçã — ao menos simbolicamente — que caiu sobre a cabeça de Isaac Newton e o levou a formular a lei da gravidade. A mesma gravidade que, séculos depois, guiaria os cientistas até os buracos negros.
Aliás, o conceito de buraco negro, que envolve campos gravitacionais tão intensos que nada escapa, nem a luz, é uma consequência extrema da gravidade — e tudo começou com a maçã. O morango, neste ponto, não passa de um observador calado.
Vantagem estética – a maçã é sólida, brilhante e intensa. Quando mergulhada no caramelo avermelhado da maçã do amor, ela se transforma numa escultura comestível. O morango do amor, ainda que delicioso, tem vida curta, amolece, escorre. A maçã do amor resiste. É crocante, dramática e oferece mais tempo entre a primeira mordida e o fim da experiência — como um bom livro ou um bom enigma.
Por tudo isso, a maçã do amor não é apenas melhor que o morango do amor — ela é mais complexa, mais simbólica e mais duradoura. É o fruto das histórias, dos mitos, das descobertas científicas e das metáforas eternas. Morder uma maçã do amor é, de certo modo, tocar um pedaço da história da humanidade.
E, convenhamos: nenhum príncipe jamais foi enfeitiçado por um morango.




Sem comentários