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Entre a crítica e o samba

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Minha filha é advogada, aliás, advogada da saúde e carnavalesca raiz. Por isso ficou perplexa com alguns comentários sobre o Carnaval. Vou reproduz aqui seu texto sobre:

“Como brasileira e advogada da saúde, me senti no direito de me manifestar sobre alguns comentários a respeito do carnaval…

Um deles dizia:

“Pra exigir saúde, segurança e educação isso não é feito. O problema do brasil é o brasileiro”

Primeiro: o carnaval por si só é um manifesto e quem é patriota de verdade entende isso. O carnaval é manifesto assim como o humor é resistência, muitas vezes. E esse é o espírito do Brasil.

Em que momento celebrar a nossa cultura impede alguém de cobrar seus direitos e viver com saúde? Não há violação a saúde, contanto que haja cuidado, segurança e saneamento básico.

Outra pérola:

 “Imagina esse povo todo se juntando por um país melhor”

Dizer que o brasileiro não se junta para protestar não é verdade.

O brasileiro protesta e muito. A Avenida Paulista em SP por exemplo é palco de protestos praticamente toda semana há anos.

As escolas de samba sempre homenagearam a saúde e a ciência. A campeã desse carnaval, Unidos do Viradouro conquistou seu primeiro prêmio em 1997 homenageando o Big Bang e o avanço da ciência.

A escola Unidos de Vila Maria representou os profissionais da saúde, heróis e heroínas da linha de frente da Covid 19 nem 2022.

Isso é crítica. Isso é posicionamento. Isso é resistência. E a forma como o brasileiro faz isso é linda, por meio de festa e não de guerra.

Reduzir o Carnaval a “pão e circo” (outra comparação infeliz) é ignorar a força cultural, econômica e política que ele representa.

O brasileiro não é o problema. O brasileiro é protagonista revolucionário.”

Por Valentina Matarazzo Mieli

@valentinamieli

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