Etiqueta sem Frescura Pitaco

Servir e compartilhar: o poder oculto

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À mesa as pessoas trocavam informações, afetos e, no caso das famílias era onde os pais passavam aos filhos experiências e ensinamentos de forma mais lúdica.

Hoje, comer muitas vezes é um ato solitário. As refeições frequentemente acontecem diante de telas e sem troca de olhares

Quanto mais conversa ou ensinamentos. A comunicação tornou-se mais difícil, embora tenham aumentado as ferramentas de contato através  da tecnologia. Solidão é a doença mais temida, justamente na era das redes sociais. Um contrassenso difícil de entender, mas fácil de solucionar.

É preciso resgatar a presença ao vivo. Os encontros não virtuais. A emoção de olhares trocados no mesmo ambiente e muitas vezes pertinho. Pensando nisso, há alguns anos, mulheres em todo o mundo resgataram a Mesa como lugar de convivência e prazer. Em menos de uma década as “Meseiras” tomaram conta do mundo virtual, alavancaram o mercado do universo da casa e provaram  que,  com um mínimo de boa vontade e criatividade é possível resgatar o prazer de uma refeição com mais de 2 pessoas e pelo menos 2 serviços onde a apresentação comida e organização dos tempos e movimentos,  além da conversa acabam tornando a experiência em um encontro memorável.

Dito isso, partimos para o exercício – nem tão difícil – de resgatar o valor dos pequenos rituais cotidianos, o que, no atual contexto de pressa perene pode ser um gesto revolucionário – mas muito gratificante!

Ora, o ato de servir — de preparar uma mesa, de oferecer um prato, de dividir o tempo — é uma das expressões mais belas da gentileza. A mesa posta, nesse contexto, deixa de ser apenas uma questão estética e se torna uma forma silenciosa de dizer: “eu me importo”.

A importância dos rituais diários – são âncoras em meio ao caos. Eles nos lembram de que há beleza no simples, no que se repete com intenção. Colocar uma toalha, escolher uma flor, acender uma vela ou alinhar talheres são gestos que, somados, revelam presença e cuidado. Ao servir com atenção, transformamos o cotidiano em celebração. É um convite à pausa, à conversa, à partilha.

Intenção que habita o gesto – um café servido com calma, uma refeição preparada com carinho, uma mesa arrumada com esmero — tudo isso comunica respeito e afeto. Servir, nesse sentido, é um ato de generosidade: exige tempo, dedicação e vontade de oferecer o melhor de si ao outro.

Mais do que um código de etiqueta, o ato de servir é uma linguagem universal. Em qualquer cultura, o alimento é símbolo de encontro, e a mesa, o espaço da convivência. Ao praticarmos esses rituais, reafirmamos o que há de mais humano em nós: o desejo de conexão.

Esses rituais  têm o poder de devolver sentido à rotina. Servir alguém — ou a si mesmo — com atenção e gentileza  transforma o trivial em algo significativo, o comum em especial. E mais do que isso: ao compartilhar juntos uma refeição, ideias e eventualmente risos e pequenos segredos, as pessoas desenvolvem  automaticamente uma cumplicidade saudável, estreitam laços e fortalecem vínculos. Daí a importância de jantares e almoços protocolares entre Chefes de Estado e autoridades.

A mesa, quando montada com capricho, traduz respeito e afeto e se torna mais do que um cenário: é um lembrete de que a verdadeira elegância está em cuidar, e que gentileza, quando praticada todos os dias, é o mais refinado dos rituais.

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