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Pais: Um universo em múltiplas versões

Há pais que dirigem até a escola todos os dias e pais que ligam no fim do domingo só para ouvir a nossa voz. Pais que aprenderam a ser pais com o tempo — ou que ainda estão tentando — e pais que nunca saíram do papel de filhos, mesmo depois da paternidade. Tem o pai que conserta tudo com ferramentas e o que conserta tudo com silêncio e presença. O que ensina pelo exemplo e o que ensina pelo erro. Todos eles, à sua maneira, deixam marcas.

Neste” “Dia dos Pais”, não cabe romantização excessiva. Crescer nos mostra que a figura paterna é mais complexa do que a publicidade tenta pintar. Nem todos tiveram um pai presente. Nem todo pai acerta sempre. Mas muitos tentam, dentro de suas possibilidades emocionais, culturais e geracionais. E esse esforço, ainda que imperfeito, é valioso.

Tem o pai que é parceiro, o que virou amigo, o que você encontra apenas nos almoços de família, o que mora longe, o que não sabe se expressar — mas aparece quando mais importa. Tem o pai que você admira, o que você aprendeu a perdoar, e até o que você precisou aprender a viver sem. Cada história é única. E ainda assim, todos esses homens têm algo em comum: o impacto profundo — para o bem ou para o aprendizado — que causam em nossas vidas.

Ser pai, afinal, não é um rótulo pronto. É uma construção. Feita de acertos e falhas, de presença e ausência, de escuta ou silêncio. De coragem de reconhecer que, às vezes, amar exige reaprender, desfazer e refazer laços.

Neste dia, que o carinho se manifeste de forma adulta: com telefonemas sinceros, com respeito à história de cada um, com gratidão quando for o caso — e com maturidade para reconhecer os diferentes tipos de amor paterno que existem. Nem sempre fáceis, mas quase sempre transformadores.




O  que aprendi com meu pai

Mas descobri, com o passar dos anos e com a maturidade, que do jeito dele, ele é o melhor dos pais, alguém que esteve sempre presente e constante, alguém que é a força e a estabilidade mesmo nos momentos mais difíceis.

E quem diria, aprendi muito com ele nesses meus 30 e muitos…

Claudia Matarazzo, no lançamento do livro “Mesa Brasileira”, ao lado do sócio Mário Ameni (co-fundador deste Blog) e de sua filha Lia Ameni (colaboradora do Blog, e quem escreve hoje)

  • Não tenho que ganhar todas as vezes. Posso concordar em discordar;
  • Fazer as pazes com o passado, assim ele não atrapalha o presente;
  • Não comparar a vida com a dos outros. Não temos ideia qual é a jornada deles;
  •  Ninguém mais é responsável pela nossa felicidade, somente nós;
  • Não precisamos nos preocupar com que o outra pensa sobre nós;
  • Não importa como nos sentimos, temos que levantar, nos arrumar e ir trabalhar/estudar ou seja lá qual for o compromisso do dia;
  • A amar eventos e crescer querendo trabalhar nisso;
  • A admirá-lo e querer a ser como ele.

E vocês, o que aprenderam com seus pais?

Meu pai… Sr. Comandante!



Licença Paternidade

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 “Se ela engravidar, ela vai ficar seis meses fora da empresa. Você consegue imaginar uma empresa ficar seis meses sem seu gerente?”  e “licença maternidade de seis meses é um “crime contra a mulher”. A frase foi  dita pelo nosso recém empossado Ministro de Minas e Energia, Adolfo Schsida.

Perplexa, resolvi pesquisar mais: nossa Constituição  prevê licença paternidade de 5 dias, que inicia no 1° dia útil após o nascimento da criança.  E nas empresas cadastradas no Programa Empresa Cidadã, o prazo se estende para 20 dias.

Ok, concordo que não é ideal, pois não muda de fato a vida das mulheres. Já, um período de licença para o pai igual ao da mãe… resolveria  muita coisa! Acompanhe o raciocínio:

Como é no mundo – isso já acontece na Suécia  desde 1974, quando  o governo sueco substituiu a licença maternidade, então vigente, por uma licença paternidade e maternidade estendida que dura nada menos do que 390 dias!!! Lá, o casal é obrigado a tirar em conjunto essas férias – em até 8 anos, em períodos escolhidos por eles próprios.

Na  Islândia, o casal tem 9 meses de licença parto – também para tirar em conjunto. No Brasil, os homens, apenas agora estão conseguindo essas 3 semanas de licença e com risco, pois ela ainda corre o perigo de ser  “opcional”: o trabalhador que escolher ficar em casa 3 semanas ainda tem que encarar o chefe achando que está de vagabundagem …

O Brasil não é a Suécia! – exato. Mas nem sempre foi  fácil pra eles: lá, como aqui, as mulheres ganhavam menos por conta de licença maternidade e outros direitos. Até que o governo resolveu obrigar os homens a tirar a licença – multando o casal cujo pai não o fizesse.

Aos poucos, os salários femininos foram sendo equiparados, uma vez que mulheres não mais representavam um ”peso morto” para as empresas. Que tiveram que se adaptar E nenhuma quebrou…

Pois no Brasil, isso funcionaria lindamente! Sim, pois até pela questão financeira, muitos casais que não formalizam a união o fariam – de olho no benefício. E dessa forma, quando fossem abandonadas com os filhos, as mulheres estariam amparadas pela lei. Sem falar nos muitos malandros não afeitos ao trabalho que adorariam poder tirar três (ou mais) meses de férias ganhando

E aqui, como na Europa, aos poucos, as mulheres teriam seus salários equiparados – e empregos valorizados, uma vez que as empresas não demorariam a perceber as vantagens de empregar mulheres diligentes pelo mesmo salário, no lugar de  alguns homens vagabundos.

Pai solteiro pode! – no último dia 12, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, que os servidores públicos têm direito a 180 dias de licença-paternidade se forem pais solteiros. Oi?! Mas por que só os pais solo?

Homens e futuros pais: briguem para que a lei não se atenha a apenas algumas empresas públicas. Valerá a pena, não apenas por suas companheiras, mas por vocês!

Voltando a fala do Sr. Ministro: será que ele diria que essa licença para pais solo  é um crime contra os homens??? Pensemos.