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Mulheres — Sororidade além do discurso

É um tema delicado — e urgente. Afinal, se somos abrigo umas das outras, por que ainda encontramos tantas portas fechadas?

Mais do que um slogan bonito – é uma prática cotidiana de empatia, respeito e acolhimento. É olhar para outra mulher sem medir sua roupa, seu corpo ou suas escolhas. É entender que a conquista de uma não ameaça a outra — ao contrário, abre caminho. Ser solidária não significa concordar com tudo, mas saber discordar sem ferir, competir sem desmerecer e admirar sem invejar.

Etiqueta e comportamento – isso se traduz em gestos sutis, mas poderosos: não propagar comentários maldosos, dar crédito a outras mulheres, elogiar com sinceridade, oferecer ajuda sem esperar retorno. São atitudes que transformam ambientes de trabalho, grupos de amizade e até redes sociais em espaços mais saudáveis e respeitosos

O desafio –  romper padrões antigos, enraizados em séculos de competição imposta. A sociedade ensinou as mulheres a disputarem atenção, validação e poder. Mas estamos em um tempo em que apoiar tornou-se um ato de resistência — e de elegância. Quando uma mulher se posiciona com empatia, ela não apenas se fortalece, mas inspira um movimento inteiro de mudança.

Talvez o “quando isso vai mudar?” dependa menos do tempo e mais de cada uma de nós. Sororidade começa em gestos simples, no silêncio que escolhe não julgar e na palavra que escolhe encorajar. Mulheres, sejamos abrigo. Porque quando nos apoiamos, não apenas nos protegemos — nós florescemos.




A força das mulheres na literatura

Em cada época, escritoras e personagens romperam silenciosamente os limites impostos a elas, transformando palavras em instrumentos de liberdade.

Hoje, quando se fala em força e independência, é impossível não reconhecer o legado dessas figuras que, com sensibilidade e coragem, abriram caminho para que outras mulheres pudessem existir plenamente — dentro e fora das páginas dos livros. Aqui vão apenas alguns exemplos e um pequeno resumo das características das muitas mulheres que ousaram colocar no papel sua alma, seus anseios, temores e desejos. E que ajudaram imensamente muitas gerações de outras mulheres – e também homens mais sensíveis, por que não?

Jane Austen – sua ironia refinada e crítica social, mostrou que a inteligência feminina podia ser tão poderosa quanto qualquer herança.

Virginia Woolf – ao reivindicar “um quarto só seu”, deu voz à necessidade de espaço — físico e simbólico — para a mulher pensar, criar e ser.

Clarice Lispector – sua escrita introspectiva e inquieta, revelou o poder da individualidade e da busca interior como forma de liberdade.

Simone de Beauvoir – com O Segundo Sexo, desafiou estruturas sociais e filosóficas.

Maya Angelou – com versos de dignidade e coragem, ensinou que a liberdade nasce do amor-próprio.

Isabel Allende – mostrou que mulheres são de fibra e emoção, capazes de transformar o destino.

Carolina Maria de Jesus – nos lembra que o talento e a força feminina florescem até nos contextos mais adversos.

Essas autoras — e suas personagens, de Elizabeth Bennet a Macabéa — educaram gerações sobre sensibilidade, autonomia e autoconhecimento. Mostraram que a força feminina também habita a vulnerabilidade, e que a elegância de pensar por si mesma é um dos gestos mais libertadores.

As grandes vozes femininas da literatura permanecem atemporais porque falam sobre algo que transcende épocas: a liberdade de ser quem se é. Inspiram, até hoje, não apenas pela escrita, mas pela postura de enfrentamento, pela delicadeza aliada à firmeza e pela coragem de existir em sua plenitude. Reler essas mulheres é mais do que um exercício de memória — é um ato de reconexão com a essência da força feminina: consciente, sensível e profundamente humana.




Você não está sozinho

Não sou muito afeita a me afogar em crises ou momentos difíceis. Minha amiga Susie, usa a parábola dos sapinhos para ilustrar os 2 tipos de comportamento diante de uma crise – seja ela de que tamanho for:  o sapinho depressivo que, caindo em um balde de leite se lamenta alto dizendo que está cansado e vai se afogar. E se afoga. E o maníaco que, ao se ver dentro do leite começa a bater pernas frenético, sem pensar até que, o leite vira manteiga e ele, lépido, salta para fora.

Ela diz que eu sou o segundo – e concordo: crises tem que ser enfrentadas, administradas, contornadas, enfim: tudo menos nos afogar nelas. Tanto é assim que, de forma geral consegui passar pela vida (privilegiada, reconheço) sem me lamentar. Nem mesmo das crises que, alegadamente todas as mulheres enfrentam.

Crise dos 30 – nem soube o que era – estava ocupada demais, me apaixonando, entre outras coisas boas.

Crise dos 40 – não percebi – estava terminando o meu terceiro livro e minha filha acabava de nascer.

Menopausa – nem liguei: detesto frio e o calor permanente nunca me incomodou demais.

Crise dos 50 – se não houve dos 30 e 40 por que raios eu haveria de me atrapalhar mais madura etc.?

Crise dos 60 –  dei risada e achei que era com os outros.

A Real Idade – em 2020, a pandemia me pegou aos 61. Quatro anos se passaram e várias vezes percebo que acordo com …78, talvez? Sim, de repente me percebo com pensamentos soturnos, movimentos muito lerdos – alguns já dificílimos de fazer, além de uma enorme dificuldade de ver algum sentido em desempenhar tarefas do dia a dia.

Percebo um sem-fim de mudanças – para muito pior – até mesmo nos espíritos mais otimistas e doces: nossa alma está alterada, nosso futuro incerto, o presente embaralhado, o dia a dia difícil e o passado… ah, o passado!

Nosso passado está como que invalidado: não mais isso, não mais aquilo, isso não pode mais e não sabemos se voltará a poder. Diálogo, encontros restritos limitados… Limitados as telas e a comunicação virtual, pouco a pouco estamos ficando mais inseguros em vez de maduros.

Ok, você não tem nada a ver com minhas pseudocrises e dificuldades motoras. Massss se está sentindo um não pertencimento estranho, medos e incertezas inéditos e sente-se confuso saiba que não está sozinho. Estamos passando por aqueles momentos históricos de depuração de valores, rupturas e novos rumos. A confusão, portanto, faz parte. Resta saber se quando a poeira baixar e conseguirmos emergir para a superfície (ou para fora do balde da parábola de minha amiga) ainda teremos fôlego para respirar aliviados. E finalmente sorrir.




Mulheres na liderança: sim, vamos insistir nisso!

Retrato em preto e branco de mulher de mais de sessenta anos sorrindo de forma plena e tranquila. Os cabelos grisalhos e longos estão presos de forma solta para trás e ela usa brincos de metal trabalhado pendurados e um anel trabalhado e grande em uma das mãos que estão junto ao rosto . A expressão de é de tranquilidade e realizaçãoGraças a Deus, a discriminação por gênero perdeu espaço e, hoje, podemos encontrar mulheres em número igual ou até maior em diversas áreas e segmentos de mercado. E isso não demorou muito para se refletir em suas lideranças. Uhuuu! Porém, ainda não chegamos aonde queremos…

O que se espera de um líder é um processo de evolução e compartilhamento de seus talentos e pontos forte, certo? E isso que as mulheres que estão no meio o corporativo têm buscado. Mostrando suas qualificações e incorporando conhecimentos que agregam novos diferenciais.

É fato que as mulheres prestam mais atenção aos detalhes do que os homens. Então, acabam desenvolvendo uma visão sistêmica. Ou seja, a capacidade de enxergar a empresa de uma maneira integrada. Quer algo melhor que isso???

As empresas que tem mulheres como líderes tendem a ter uma comunicação mais efetiva, tanto no sentido de desenvolvimento da líder (competências e habilidades) quanto no aumento do desempenho de seu grupo de liderados.

Às vezes, falta iniciativa das pessoas em expor-se e exercitar seus talentos, pontos fortes e ideais. Porém, como as mulheres – normalmente – tem mais talento para se comunicar de forma acessível, escutar e dosar as respostas, os colaboradores costumam se sentir mais à vontade em conversar. Conseguindo assim, que a empresa tenha funcionários mais “tranquilos”, digamos assim, para expor suas ideias.

Enfim, existe sim, um crescimento pequeno de mulheres na liderança, considerando que estamos em 2024. E sim, as empresas precisam ter um diálogo mais aberto com homens e mulheres para desafiar o status quo.

Então… mulheres, vamos continuar correndo atrás porque, mais do que nunca existem muitas oportunidades!  Os homens, não percam tempo e coloquem mulheres na liderança de sua empresa. Estão esperando o quê?

Incentivar a redução da desigualdade é também buscar um futuro melhor para todos. Entendem a abrangência de to-dos, né?




Mulheres sobre o fio da navalha

Para quem ainda não ouviu falar, e segundo a OMS, esse tipo de esgotamento não é uma doença ou condição médica, mas um fator que influencia  (negativamente) nossa saúde.

Primeiramente vamos entender Burnout significa: Herbert Freudenberger definiu como um estado de exaustão causado pelo excesso de trabalho… prolongado.

Sobrou para elas – ok, desde sempre a rotina das mulheres é mais apertada do que ados homens: elas tem jornada dupla, e muitas vezes, tripla – cuidando de casa e filhos, além de trabalhar fora.

E, desde 2020 essa carga, para as que trabalham aumentou muito mais. Ora, os homens (mesmo os de países ditos “desenvolvidos” e menos machistas “ajudam em casa”, mas não arcam com toda a carga doméstica. Já elas, depois da pandemia, acumularam várias funções com o home office em tempo integral e mal tem tempo de respirar e dormir…

Ajuste demorado – após uma retomada parcial às atividades presenciais, mesmo com muitas profissionais trabalhando de forma híbrida, a situação, que teoricamente  poderia ter melhorado, não avançou muito e, em alguns aspectos, até piorou. E nesse momento, apareceu o esgotamento mental/emocional.

Além do burn-out, salário inadequado e falta de oportunidades fazem com que mulheres queiram deixar seus empregos atuais. Algumas reclamam que os benefícios do trabalho híbrido ainda não são percebidos, e assédio e microgressões aumentaram.

De acordo com Venus Kennedy, sócia e líder do Delas (programa de diversidade de gênero da Deloitte no Brasil),  no ano passado já havia insatisfação e esgotamento por parte das profissionais mulheres, como resultado de uma desigualdade de gênero que ainda existe dentro das empresas.

Fenômeno mundial – ok, não é só aqui: entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, a Deloitte Global realizou uma pesquisa com 5.000 mulheres em 10 países para explorar como as mulheres em todo o mundo avaliam sua satisfação geral, e motivação no local de trabalho.

Das 500 mulheres consultadas no Brasil, a ampla maioria (96%) trabalha em tempo integral. 43% estão atuando de forma híbrida, 37% de forma remota e 20% totalmente presencial.

Mais da metade (52%) das brasileiras entrevistadas têm entre 39 e 54 anos masssss…. isso não quer dizer que não exista já um batalhão de jovens mulheres estressadas e muito pessimistas em relação ao futuro e suas perspectivas profissionais.

Tem solução? Claro que sim. Mas passa por uma mudança radical em nosso comportamento e prioridades. Aliás, precisamos, definitivamente aprender a priorizar. E isso significa abusar da palavra não.

“Não vou”, “não dá tempo”, “não sei fazer”, “não  posso”, “não gosto”, “não quero”, “não enche!”, – viram quantas possibilidades uma simples palavra nos oferece? Aprender a dizer não é meio caminho andado para uma vida com maior qualidade e que atenda mais a nossos desejos e preferências. Pena que aprendi tarde, mas compartilho agora essa dica tão simples. Comece por aí – e depois me conte!