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Mulheres — Sororidade além do discurso

É um tema delicado — e urgente. Afinal, se somos abrigo umas das outras, por que ainda encontramos tantas portas fechadas?

Mais do que um slogan bonito – é uma prática cotidiana de empatia, respeito e acolhimento. É olhar para outra mulher sem medir sua roupa, seu corpo ou suas escolhas. É entender que a conquista de uma não ameaça a outra — ao contrário, abre caminho. Ser solidária não significa concordar com tudo, mas saber discordar sem ferir, competir sem desmerecer e admirar sem invejar.

Etiqueta e comportamento – isso se traduz em gestos sutis, mas poderosos: não propagar comentários maldosos, dar crédito a outras mulheres, elogiar com sinceridade, oferecer ajuda sem esperar retorno. São atitudes que transformam ambientes de trabalho, grupos de amizade e até redes sociais em espaços mais saudáveis e respeitosos

O desafio –  romper padrões antigos, enraizados em séculos de competição imposta. A sociedade ensinou as mulheres a disputarem atenção, validação e poder. Mas estamos em um tempo em que apoiar tornou-se um ato de resistência — e de elegância. Quando uma mulher se posiciona com empatia, ela não apenas se fortalece, mas inspira um movimento inteiro de mudança.

Talvez o “quando isso vai mudar?” dependa menos do tempo e mais de cada uma de nós. Sororidade começa em gestos simples, no silêncio que escolhe não julgar e na palavra que escolhe encorajar. Mulheres, sejamos abrigo. Porque quando nos apoiamos, não apenas nos protegemos — nós florescemos.




Rivalidade feminina e superexposição nas redes: vamos repensar?

Nesse cenário, a rivalidade feminina, um fenômeno social historicamente cultivado, ganhou novos contornos.

Se antes a comparação acontecia em silêncio, nos bastidores, hoje ela é amplificada publicamente, em tempo real, alimentada por likes, métricas e validações externas.

A competição – uma construção cultural reforçada por décadas, onde o sucesso de uma mulher era (e muitas vezes ainda é) visto como ameaça à outra. Esse olhar comparativo, que opõe em vez de somar, se manifesta nas redes por meio de julgamentos sutis: comentários ácidos, críticas ao corpo, à maternidade, à forma como cada uma trabalha, se veste, vive ou se posiciona.

A superexposição – esse jogo nem sempre é claro. Muitas mulheres, ao compartilhar suas vitórias ou rotinas aparentemente perfeitas, não o fazem para competir, mas para celebrar ou simplesmente se expressar. O problema está em como isso é interpretado — e no ciclo de comparação que, muitas vezes, mina a autoestima de quem assiste, reforçando a falsa ideia de que existe um padrão a ser seguido ou superado.

Mas há caminhos para romper esse ciclo. Começa pela consciência: reconhecer que a vida real não cabe em um post e que a admiração pode substituir a inveja. Enaltecer as conquistas de outras mulheres, apoiar trajetórias diferentes das nossas e desconstruir a ideia de que há uma única forma de ser bem-sucedida ou feliz são passos fundamentais.
A rivalidade feminina, assim como o “comparatismo” nas redes sociais é inevitável — mas é um comportamento que pode (e deve) ser transformado através da maneira como reagimos e trabalhamos as sensações negativas internamente. As redes podem ser também espaço de sororidade, inspiração e apoio mútuo. A escolha é nossa — todos os dias, em cada clique, comentário e curtida.




Corpo Perfeito: Padrões de Beleza conforme a cultura

Se, em alguns períodos, a plenitude das formas era sinônimo de status e saúde, em outros, a magreza tornou-se a chave para a elegância e sofisticação. Essa oscilação reflete não apenas mudanças estéticas, mas também profundas transformações sociais.

Beleza na Antiguidade – o ideal de beleza estava fortemente associado ao equilíbrio e à proporção. No Egito, figuras femininas eram representadas com corpos esguios e delicados, enquanto na Grécia, a valorização da harmonia levou à exaltação de corpos atléticos para os homens e formas levemente arredondadas para as mulheres, como uma demonstração de fertilidade e feminilidade. Roma manteve essa tendência, favorecendo corpos bem proporcionados, sem grandes excessos nem escassez de formas.

Idade Média – os ideais físicos passaram a se submeter às convenções religiosas. A beleza feminina estava ligada à maternidade e à pureza, e a vestimenta tinha o propósito de ocultar mais do que destacar a silhueta. A robustez era vista como um indicativo de saúde, especialmente em tempos de crises e epidemias, enquanto a magreza extrema poderia ser associada à fragilidade e à doença.

Renascimento e novos conceitos– começa uma nova apreciação pelo corpo humano. As formas femininas tornaram-se mais generosas, celebrando curvas naturais e volumosas. Obras de artistas como Botticelli e Rubens imortalizaram esse padrão de beleza, onde o excesso de peso não era um problema, mas um símbolo de prosperidade e fertilidade. Esse culto ao corpo farto se manteve durante o Barroco, embora com a introdução do espartilho, que começou a delimitar um ideal mais estruturado de feminilidade, com quadris largos e cintura fina.

Ideal do corpo na era moderna – O século XX foi um divisor de águas na percepção da estética corporal. A obsessão pela cintura diminuta levou à  popularização do espartilho, que moldava a silhueta, muitas vezes causando deformações físicas. Ser magra tornou-se sinônimo de refinamento, um conceito reforçado pelas elites europeias. Para os homens, ternos ajustados e cortes bem estruturados transmitiam poder e elegância, fazendo com que a magreza também passasse a ser valorizada entre eles.

Nos anos 1920, Coco Chanel libertou as mulheres do espartilho e popularizou uma silhueta mais reta e solta, favorecendo corpos esguios e andróginos. A década de 1950, no entanto, trouxe um breve retorno às curvas, imortalizadas por estrelas como Marilyn Monroe e Brigitte Bardot.

Revolução dos costumes – a partir dos anos 1960 coincidindo com o movimento hippie pelo mundo a magreza extrema começou a dominar a moda, impulsionada por modelos como Twiggy, cujas feições delicadas e corpo esbelto lançaram uma nova era de padrões impossíveis de alcançar.

Nas décadas seguintes, a cultura das supermodelos consolidou esse padrão. Nomes como Naomi Campbell e Cindy Crawford reforçaram a ideia de que a mulher ideal deveria ser alta, magra e tonificada. O culto à magreza atingiu seu ápice nos anos 1990 e 2000, quando a magreza excessiva passou a ser praticamente uma exigência da indústria da moda, eliminando a diversidade de formas do imaginário coletivo e consolidando a ideia de que ser baixa e curvilínea significava estar fora dos padrões de elegância.

Mulheres reais – Hoje, há um esforço para quebrar esses paradigmas. O movimento “body positive” e a crescente aceitação da diversidade corporal vêm desafiando a ditadura da magreza. Embora modelos plus size e corpos mais diversos tenham conquistado espaço na moda e na mídia, a pressão pelo corpo perfeito ainda persiste, agora sob novas roupagens, como a busca pela “saúde” e pelo “fitness” ideal.

Ao longo da história, a moda não apenas refletiu os padrões de beleza, mas também os impôs. Se antes a forma física se adequava às roupas, hoje são as roupas que deveriam se adaptar às diversas formas de corpos. A grande questão que fica é: estamos realmente caminhando para uma era de inclusão genuína ou apenas reformulando antigos padrões sob novas perspectivas?




Visual conta sim – e determina a sintonia

Acredite: uma produção bem acabada, em harmonia com o contexto em que você trabalha ou da empresa que está visitando faz as coisas fluírem melhor.
Por exemplo, se estiver visitando alguém ligado a área do agronegócio talvez seja o caso de dar uma aliviada na formalidade. E o mesmo, de forma inversa, vale para setores mais formais como o jurídico ou financeiro.
Mas calma! Não é o caso de incorporar uma fantasia do estereótipo visual de determinadas profissões. Em visita a empresas mais informais não precisa usar tênis de 3 andares e 24 rodinhas – em geral, apenas o fato de estar sem gravata já sinaliza sintonia.


Na prática – o desafio é equilibrar uma aparência composta com toques de informalidade.
O truque é se basear em uma referência mais universal de elegância. Assim: evite usar itens dos últimos “gritos da moda” justamente por não serem amplamente testados – e muito menos aprovados.
Mulheres podem evitar as maxi bolsas brilhantes ou de couro de bichos (ainda que, falsas e ecologicamente corretas).


Homens também não devem extrapolar com mochilas extra grandes ou cheias, principalmente na hora de apoiar sobre o delicado mobiliário do escritório visitado.


Ok, esses são só exemplos. O que conta mesmo é a atitude: que dever ser antenada, atenta, suave e firme. Parece contra senso? Não mesmo. Tente exercitar e comprove que quando conseguimos isso o resultado se traduz em sucesso nas relações – profissionais e pessoais.




Viagens: de acordo com o seu momento

Por vício de profissão fui anotando mentalmente alguns detalhes que me fizeram repensar uma série de fatores para levar em conta em uma próxima viagem – e assim aproveitar melhor, tanto roteiro quanto a própria experiência em sua plenitude.

Finalmente entendi o turismo para pessoas com mais de 60 anos – e as razões pelas quais  é um nicho  tão interessante,  nada tem a ver com falta de vitalidade, ou velhice. Não se trata de idade, mas de como nosso olhar – e expectativas – mudam conforme com o tempo.

Quando somos jovens, e viajamos, quase nada importa exceto a novidade em si, os encontros, o point do agito, bares da moda, olhares cheios de promessas e eventualmente música, comida e a história do local. Em algum momento, isso muda.

Na maturidade – com ou sem filhos o foco é outro:  com mais peso no quesito trabalho priorizamos a estrutura e localização central dos hotéis. E, no caso de viagens em família preferimos resorts, restaurantes familiares, facilidade de transporte… etc.

Temos mais necessidade de  estar em grandes  centros urbanos com lojas, conhecer e consumir grifes, visitar grandes museus e mostras importantes e, claro não nos importamos com intermináveis filas em parques temáticos com os filhos.

50 Mais  – é a idade de resgatar os sonhos. O foco é  muito maior em lazer mais seletivo, saúde e bem-estar. Pensamos em viagens que priorizem beleza, e tempo de qualidade, destinos mais selecionados, com mais privacidade e uma certa sofisticação nos restaurantes. Não mais viagens em grupos ou com amigos que mal conhecemos. Apenas os vínculos consistentes – e pessoas que andam e entendem nosso ritmo para nos acompanhar.

60 mais – o tempo é outro: queremos voltar aos locais que nos acolheram, hotéis com boa estrutura, centros urbanos menores, mais “amigáveis” com bons recursos médicos. Parece piada mas, para alguém dessa idade,  boas farmácias em viagem fazem mais sucesso do que uma loja de marca aos 40 anos ou uma liquidação aos 30. Em trechos maiores de carro, banheiros bons no caminho são essenciais. Aliás, bons banheiros sempre: em hotéis, aeroportos, estradas e afins.

Pausas – sim, em viagem, as pausas são fundamentais. Se na vida elas são essenciais, em uma viagem, são parte do prazer de qualquer  roteiro. Quando jovens esse conceito nos escapa – assim como tantas coisas. Mas, hoje, fazer uma viagem na correria é a definição de inferno na terra.

Portanto, se está planejando uma viagem de fim de ano, de férias ou mesmo de presente para você e sua família, pense no conselho dessa senhora viajante: análise com cuidado – não o roteiro, mas o seu desejo e, principalmente, seu momento. Siga seu coração e permita-se sonhar, voltar aos seus cantos preferidos e, agradecer a Deus mais essa oportunidade e privilégio em uma bem-vinda  e importante pausa, em boa companhia. Boa viagem!