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O luxo da moda consciente

Mulheres e homens que chegam aos 50 com vitalidade, autonomia e identidade clara estão mudando não apenas o consumo, mas também o significado de estilo e elegância.

Quando dizemos que 50 são os novos 30, não falamos de negar o tempo, e sim de compreendê-lo. A geração prateada não busca parecer mais jovem, mas viver melhor, com escolhas mais conscientes e menos ansiedade por tendências. O vestir deixa de ser impulso e passa a ser expressão. Cada peça carrega intenção, memória e coerência com quem se é hoje.

Nesse contexto, o luxo também se transforma. Ele já não está no acúmulo nem na novidade constante, mas no tempo: tempo para escolher bem, para usar muitas vezes, para cuidar. O novo luxo é consciência — sobre tecidos, cortes, procedência e impacto. É investir em qualidade, não em quantidade. É entender que estilo se constrói com permanência, não com pressa.

A moda que dialoga com a geração 50 + reconhece que maturidade é sofisticação. As roupas não precisam “disfarçar” a idade, mas acompanhar o corpo real, com conforto, elegância e presença. A etiqueta segue o mesmo caminho: menos regras engessadas, mais sensibilidade, mais verdade. Elegância, hoje, é saber ocupar o próprio tempo com naturalidade.

Vestir história é permitir que a roupa reflita experiências vividas, escolhas feitas e valores consolidados. A geração prateada veste maturidade com orgulho, entende seu corpo, respeita seus limites e celebra seu estilo. Não há urgência em provar nada — há segurança em ser.

A indústria da moda entendeu que 50 são, sim, os novos 30, porque a geração prateada redefiniu o que é luxo, beleza e elegância. O luxo contemporâneo é silencioso, consciente e durável. Ele respeita o tempo, valoriza a história e transforma maturidade em estilo — o mais sofisticado de todos.




Etiqueta e o verdadeiro Luxo

É mais do que comportamento ou educação – embora seja um assunto derivado dos mesmos.

Para entender sua importância no cotidiano, talvez ajude um olhar mais atento aos 3 pilares nos quais ela se apoia: Bom senso, naturalidade e afetividade.

Bom senso – tudo o que se refere a etiqueta tem a ver com bom senso ou seja, é pensado para facilitar a vida, jamais para complicar. As regras se baseiam em “mão e contra mão”. Se estamos falando de rotas de um evento, são pensadas para facilitar o fluxo. Se for sobre o lado do botão de determinados modelos tem a ver com a anatomia, o prato para comer alcachofra tem uma concavidade no centro para encaixar melhor o alimento – e por aí vai.

Costumo afirmar que se determinada  regra  complica a vida geralmente  acaba caindo em desuso. Ou nunca foi regra de fato. Se aquela é uma situação desconhecida para você use o bom senso: faça o que você acha que deve fazer. Em geral funciona e é isso mesmo…

Naturalidade – justamente por ser uma ferramenta para facilitar a vida é que a etiqueta se baseia também em naturalidade. Não sabe? Pergunte. Sempre haverá alguém que terá prazer me ajudar. É infinitamente melhor do que fingir que sabe algo que não sabe. Seja natural. Vista-se de maneira natural. E aja naturalmente. Sempre  melhor do que forçar e pagar mico.

Afetividade – em um mundo cada vez mais orientado por dinheiro e individualismo, incorporar uma atitude atenta e afetiva só pode ajudar. Perca alguns segundos para lembrar o nome das pessoas, se tem ou não filhos, ouvir sobre eles etc. Isso é só um exemplo, mas existem infinitas maneiras se demonstrar afeto e acolhimento. A primeira etapa dessa afetividade plena é assegurar-se de que  os outros estejam fisicamente confortáveis. Por isso oferecemos um café ou água, convidamos as pessoas a sentar etc. A segunda etapa (que exige um certo tato e que ninguém se lembra)  é garantir as pessoas  conforto emocional.

Isso significa não constranger o outro ou criar situações difíceis, em suma: acolher da melhor maneira e  não abusar emocionalmente dos outros.

Não se trata de ter, e sim ser –  ter etiqueta independe de de se ter ou não dinheiro. A Etiqueta tem a ver com atitude e valores e não  com dinheiro e  marcas de luxo. E por falar em Luxo: hoje, o conceito de luxo evoluiu: se nos anos 30 tinha a ver com espaços maiores e serviços especiais, e nas últimas décadas o boom de grifes caríssimas inundou o mercado com produtos banais mas caríssimos, hoje, há um consenso de que o verdadeiro luxo está na experiência. No desfrute de uma certa exclusividade e no privilégio das peças únicas.

Tudo isso, de preferência  usando materiais reciclados ou com upcycling de outros. Há uma consciência de sustentabilidade que é  muito mais importante do que se exibir usando o logo de um produto industrializado, distribuído em massa por todo o planeta. Por mais caro que seja, isso é  bobagem ultrapassada. Pense nisso.




A diferença entre ser caro e ter valor

Em meio a marcas de luxo, experiências exclusivas e ostentação nas redes sociais, tornou-se comum confundir o que é caro com o que tem valor. No entanto, essa distinção vai muito além do preço — é uma questão de comportamento, percepção e propósito.

Ser caro está ligado ao custo, ao que exige investimento financeiro. Um item caro pode impressionar por sua exclusividade, mas não necessariamente desperta admiração genuína. Já, ter valor é algo que transcende o material: está na forma como algo — ou alguém — nos toca, inspira e deixa marcas positivas. É o gesto atencioso, a palavra dita na hora certa, o profissionalismo silencioso que transmite confiança.

No convívio social e profissional, essa diferença é essencial. Pessoas “caras” buscam status e reconhecimento rápido; pessoas “de valor” cultivam respeito e credibilidade.

A etiqueta moderna, longe de ser um conjunto de regras rígidas, convida à autenticidade e à coerência: a verdadeira elegância está em ser gentil, pontual, empático e discreto — atributos que não têm preço –  mas revelam muito sobre o caráter.

No consumo, o mesmo princípio se aplica. Comprar algo caro pode satisfazer momentaneamente o desejo de pertencimento, mas escolher algo de valor é investir em qualidade, durabilidade e significado. O que tem valor permanece, evolui com o tempo e se torna parte de quem somos — seja um objeto, uma amizade ou uma reputação.

Ser caro é questão de bolso; ter valor é questão de essência. E, no fim das contas, o que realmente distingue uma pessoa elegante é sua capacidade de agregar — não pelo que ostenta, mas pelo que entrega em presença, palavra e atitude. O verdadeiro luxo é ser lembrado não pelo preço do que se tem, mas pela qualidade do que se é.




Algumas opções de luxo para incorporar em nossa vida

O verdadeiro luxo tem mais a ver com a forma como vivemos do que com o que mostramos. É saber dizer “não” quando necessário, criar uma rotina com propósito e olhar no espelho sem precisar fingir.

O contraste entre ostentação e autenticidade é enorme. Na ostentação, mostramos conquistas externas, mas muitas vezes nos sentimos vazios por dentro. Autenticidade, por outro lado, significa viver alinhado aos nossos valores. Saber como criar uma vida tranquila e cheia de significado, em vez de tentar provar algo para os outros.

O verdadeiro luxo se revela em hábitos diários simples e poderosos. É manter disciplina para seguir metas pessoais, não se comparar e evitar dívidas desnecessárias. É garantir autonomia para decidir sobre seu tempo e dinheiro sem pressão externa. É estabelecer limites que protegem sua saúde mental e suas relações. Cada escolha consciente constrói raízes profundas e duradouras, bem mais valiosas do que qualquer acessório de marca.

Por exemplo, uma vida de luxo real envolve:

Tempo livre de verdade – horas para ler, caminhar ou estar com quem amamos, sem culpa.

Liberdade de escolha decidir onde trabalhar – e como – o que comer ou para onde viajar sem se endividar.

Paz interior – sentir gratidão e equilíbrio todos os dias, em vez de ansiedade por status.

Raízes profundas – relações sólidas com amigos e família, uma conexão genuína com a própria história.

Nessa perspectiva, a disciplina e a integridade são peças-chave. Seguir um propósito pessoal exige foco e coerência. Quando sabemos quem somos e para onde vamos, cada pequena vitória nos enriquece de verdade — não para posarmos em redes sociais, mas para viver com tranquilidade e confiança.

No fim das contas, luxo de verdade é ter raízes profundas que nos sustentam. É desligar o celular às vezes e descobrir que precisamos de muito pouco para nos sentirmos realizados. Mais do que uma imagem bonita, luxo é a vida que construímos com nossas próprias escolhas.




Para poucos – quando qualidade independe de riqueza

Sala espaçosa aberta para a área da cozinha. As paredes são pintadas de bege claro com efeito de iluminar o ambiente e contrastam com o piso e a bancada da cozinha que são em madeira escura. As cadeiras da mesa da sala de jantar a esquerda da foto e as banquetas da bancada a da cozinha a direita são estofadas em tecidos crú aumentando a sensação de simplicidade e aconchego. Em uma das paredes ao fundo quatro quadros colocados geometricamente em um quadrado dão um toque moderno. Ao fundo do ambiente percebe-se um corrimão branco em sintonia com os armários brancos em madeira da cozinha que revestem o ambiente de serviço . No teto, luzes embutidas clareiam ainda mais o espaço.

Sempre respiro aliviada quando percebo que, em um mundo onde imperam palavras como “globalização” e “massificação” ainda há gente que gosta de pensar e se manifestar de maneira individual e singular.

Quando se pensa  em “para poucos” não necessariamente estamos falando em dinheiro ou na qualidade do que é caro, mas sim, na graça e na delícia de que possa desfrutar de algo mais íntimo.

Ok,  mas antes de mais nada é preciso entender na prática  as palavras  – exclusividade e privacidade – cada vez mais difíceis de ser percebidas como conceito. Como produto de consumo, talvez. Mas não como atitude ou conceitos a manter vivos.

Para facilitar, veja alguns exemplos onde o “para poucos” é sempre melhor vivido do que para muitos:

 Supermercados – já reparou que não há mais supermercado normal? Só hipermercados. São imensos, cansativos e nem sempre mais baratos do que um mercado de bairro.

grupo de pessoas estão numa fila de supermercado aguardando para realizarem o pagamento de suas compras, todos estão segurando uma cesta com diversos produtos

Nas raras vezes  em que vou a um desses, constato que nem sempre as coisas feitas para mais de mil pessoas funcionam tão lindamente para o que foram planejadas e ainda atender bem aos clientes.

Tanto é verdade que agora as grandes redes estão abrindo centenas de lojas menorzinhas com a marca “express”…

Boates e baladas – Ricardo Amaral é que sabia das coisas. Suas casas como Hippopotamus e Papagaio’s, em São Paulo, ou outras que abriu pelo Brasil eram todas na medida certa. Dava para ir da mesa até o banheiro em menos de cinco minutos. Da pista, era possível sinalizar para o DJ que, por sua vez, “sentia” muito mais o queria a galera, pois o espaço era mais mais reduzido. Hoje as baladas são enoooooormes,  com fila no banheiro, glamour zero e falar com o DJ, nem pensar…

Bufês Infantis – cada vez maiores, mais barulhentos e feitos para acomodar de bebês a adolescentes e até coquetéis para adultos. São lugares insuportáveis, de onde tanto crianças quanto adultos saem zonzos. É como se os pais preferissem acostumar os filhos desde cedo as hordas.

Os hotéis – não há mais hotéis, só resorts. Raros são os que realmente prestam um serviço de lazer e entretenimento sem massacrar o hóspede com bufês de comida medíocre, longuíssimas distâncias entre seu “bangalô” e o corpo principal do hotel ou mesmo da praia. Desconfio demais dos resorts. Mas adoro hotéis.

Detalhe da piscina do Hotel Lara, Aquiraz, Ceará, onde temos duas cadeiras de descanso, em madeira, ao fundo um lindo jardim com palmáceas.

Hotel LARA. Prainha Aquiraz Ceara. Brasil 03/2015 © david atlan

Restaurantes – é fato:  pequenos restaurante onde os donos atendem os clientes quase sempre são deliciosos e a comida divina. Por mais que falem tanto das grandes churrascarias brasileiras (e algumas são realmente ótimas) o espaço é totalmente impessoal e é muito difícil de conversar com os amigos, pois são super barulhentas.

Festas em bares – pensando como dona de casa, a única coisa que justifica fazer uma festa em um bar é poder convidar mais gente e não sujar a casa. Mas uma festa em casa, para poucos é muito mais divertida –  confira e me conte!

Pois é: “para poucos” é um estilo de vida para alguns privilegiados. Não necessariamente ricos privilegiados, mas apenas aqueles que entendem que tamanho não é documento e que qualidade, nada tem a ver com quantidade.

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