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São Paulo 472 anos e muitas histórias para contar

Em 2026, a cidade chega a mais um aniversário reafirmando aquilo que sempre foi sua marca registrada — a capacidade de acolher, misturar, transformar e seguir em frente, mesmo quando tudo parece caótico. São Paulo não é apenas um lugar: é um estado de espírito.

Todo 25 de janeiro, São Paulo celebra mais do que a própria fundação: comemora a sua vocação para o movimento, para o encontro e para a reinvenção constante.

Em 2026, a cidade chega a mais um aniversário reafirmando aquilo que sempre foi sua marca registrada — a capacidade de acolher, misturar, transformar e seguir em frente, mesmo quando tudo parece caótico. São Paulo não é apenas um lugar: é um estado de espírito.

A cidade atravessou séculos crescendo, mudando de rosto, de ritmo e de linguagem. Em 2026, São Paulo completa 472 anos carregando em suas ruas a memória de muitas épocas ao mesmo tempo. O centro histórico convive com os prédios espelhados, as cantinas tradicionais dividem espaço com restaurantes autorais, e a pressa cotidiana cruza com pequenas ilhas de pausa em parques, cafés e livrarias escondidas.

O paulistano aprende cedo que São Paulo não se entende — se vive. É a cidade onde tudo acontece ao mesmo tempo, onde diferentes culturas se encontram e onde cada bairro parece um mundo próprio. É também a cidade do trabalho intenso, dos sonhos grandes, das jornadas longas e das conquistas silenciosas. Aqui, ninguém passa ileso: São Paulo molda, desafia e, de alguma forma, ensina.

Celebrar o aniversário da cidade é reconhecer esse contraste permanente entre dureza e potência, entre concreto e afeto. É lembrar que, por trás do trânsito e dos prazos, existe uma cidade feita de pessoas, histórias, sotaques e esperanças. Uma cidade que cansa, mas também inspira. Que exige, mas oferece. Que cobra, mas devolve em oportunidades.

Em 2026, São Paulo segue sendo esse organismo vivo, imperfeito e fascinante. Uma cidade que nunca está pronta — porque sua essência é justamente estar sempre em construção. E talvez seja exatamente por isso que tanta gente chama esse lugar imenso de casa.




O que o livro “Ainda Estou Aqui” nos mostra

Ao contar a história de sua mãe, Eunice Paiva, que enfrenta o Alzheimer, e do desaparecimento de seu pai, Rubens Paiva, durante a ditadura militar, Marcelo constrói uma obra que vai muito além de sua biografia e toca em temas universais e ainda muito atuais. Mesmo sendo uma história do passado, as reflexões trazidas pelo livro têm grande relevância nos dias de hoje.

Memória e verdade histórica – ainda enfrentamos debates sobre os crimes da ditadura, e o Brasil luta para resgatar sua memória coletiva. No atual cenário, em que revisões históricas são feitas e, muitas vezes, fatos do período militar são negados ou distorcidos, o livronos lembra da importância de lembrar e confrontar o passado, evitando que os mesmos erros se repitam.

Discussão sobre saúde mental e envelhecimento – a experiência da mãe de Marcelo com o Alzheimer reflete desafios enfrentados por muitas famílias atualmente, em um Brasil com uma população idosa crescente e questões de saúde mental cada vez mais presentes. O cuidado com familiares que perdem sua autonomia, a progressiva perda de quem ainda está vivo, são temas que ressoam com muitas pessoas nos dias de hoje.

A resistência e a luta por direitos humanos – em tempos de polarização política, o exemplo de Eunice é uma referência para quem ainda batalha por direitos civis e liberdade.

Reconstrução familiar – as transformações nas dinâmicas familiares, sejam causadas por questões políticas, sociais ou por doenças, são um reflexo de muitas realidades contemporâneas

Vulnerabilidade e força feminina – a luta de Eunice pelo marido e pela família, mesmo enfrentando doenças, perdas e um contexto político adverso, reflete as lutas das mulheres contemporâneas por igualdade e empoderamento. Hoje, com o movimento feminista ganhando mais espaço, sua história ressoa com a luta por direitos das mulheres.

O livro é um lembrete do perigo do autoritarismo e da importância de preservar a democracia e a memória coletiva. É um convite para olharmos para nossa história, nossas famílias e nosso futuro, com a sensibilidade de quem entende que, mesmo diante das maiores perdas, ainda é possível estar presente, resistir e lembrar.