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Seja gentil com 2025

As listas de desejos feitas no início de 2025 talvez ainda estejam ali, com alguns itens riscados, outros esquecidos, e alguns que, honestamente, já nem fazem mais tanto sentido. Mas a verdade é que, se você realizou pelo menos um deles, ou simplesmente sobreviveu a tudo o que este ano trouxe, você evoluiu.
Tempos intensos, ritmo acelerado, as expectativas, as comparações e a pressão por resultados fazem parecer que só vale quem “chegou lá”. Mas talvez o verdadeiro sucesso de 2025 tenha sido seguir em frente — com coragem, com cansaço, com fé ou com dúvidas, mas seguir.

Realizar  desejos não precisa ser algo grandioso – pode ter sido aquela viagem adiada há anos, uma mudança de carreira, ou simplesmente o hábito de cuidar melhor de si. Às vezes, o sonho era ter paz — e, se você encontrou um pouco dela, mesmo entre altos e baixos, isso é conquista.

As coisas não saíram como planejado? Tudo bem. Crescer também é aprender a lidar com o imprevisível, reescrever planos, abrir mão do controle. Há uma beleza silenciosa em quem atravessa o ano inteiro e chega ao fim ainda acreditando — em si, na vida, e nas novas possibilidades que vêm com o próximo ciclo.
Então, antes de encerrar 2025 com aquela sensação de “ainda não fiz o suficiente”, olhe com gentileza para o seu próprio caminho. Você realizou, sim — talvez não tudo, mas o que era possível. Você sonhou, tentou, errou, ajustou, recomeçou. E isso é (re)evolução.

Se conseguiu riscar um item da lista, celebre. Se não riscou nenhum, mas sobreviveu, aprendeu e se manteve de pé, celebre ainda mais. Porque chegar até aqui, inteiro, é um desejo que vale por todos os outros.




Gentileza urbana: entenda e pratique

Em meio ao ritmo acelerado das cidades, à pressa dos compromissos e à correria do cotidiano, a gentileza pode parecer um gesto pequeno — mas carrega um impacto profundo.

Gentileza urbana é mais do que dizer “bom dia” ou segurar a porta para alguém. É um conjunto de atitudes conscientes que promovem respeito, empatia e harmonia nos espaços coletivos. E, embora sutis, essas atitudes têm o poder de transformar as relações humanas e a atmosfera da cidade.

Nas cidades, onde os encontros são inevitáveis e os atritos, por vezes, também, a gentileza se torna um ato de cidadania. Uma alternativa  que soluciona pequenos e repetitivos incômodos. Ela cria pontes, reduz tensões, melhora a convivência e faz com que as pessoas se sintam vistas, valorizadas, respeitadas. E não muda o mundo de uma vez — mas muda o momento, o dia, e quem sabe até o comportamento futuro de alguém.

Ceder o assento a quem precisa, respeitar filas, evitar falar alto ao celular em ambientes públicos, recolher o lixo do seu pet, dar passagem no trânsito e agradecer com um sorriso — são alguns exemplos de gentileza urbana. São gestos que demonstram educação, consideração e senso de convivência. Em um mundo onde cada um está cada vez mais voltado para si, quem pratica esse tipo de gentileza se destaca por lembrar que viver em sociedade é, acima de tudo, dividir espaço com responsabilidade e afeto – porque não?

Gentileza não é sinônimo de submissão ou passividade. É uma escolha ativa de agir com respeito, mesmo diante da indiferença ou do mau humor alheio. Ser gentil não exige esforço físico ou recursos materiais, mas requer atenção e intenção. E, assim como atitudes grosseiras tendem a gerar reações negativas em cadeia, a gentileza também é contagiante: um bom gesto inspira o próximo, e assim por diante.

Praticar a gentileza urbana é assumir um compromisso com uma convivência mais humana e civilizada. É reconhecer que as cidades não são feitas apenas de prédios, ruas e carros, mas, principalmente, de pessoas. E toda vez que escolhemos agir com empatia e respeito, contribuímos para um espaço coletivo mais saudável, agradável e digno de ser vivido. Em um cenário de tanto ruído e desconexão, ser gentil é um gesto com impacto real.




Cortesia e Gentileza ao Longo da História

Hoje, cortesia e a gentileza, podem até andar mais escassas, mas ambas têm raízes profundas: eram super valorizadas desde sempre na história da humanidade – e evoluíram moldando-se conforme as mudanças culturais, religiosas e filosóficas de cada era.

Para entender melhor sua necessidade  hoje, acho essencial saber como surgiram e se transformaram ao longo da história.

Nas civilizações mais antigas no Egito e na Mesopotâmia, já existiam regras de conduta que promoviam o respeito e a boa convivência. A maneira como as pessoas interagiam era muitas vezes ditada pela hierarquia social e pela necessidade de manter a harmonia na comunidade.

Os gregos antigos valorizavam muito a “xenia”, uma espécie de hospitalidade, com regras claras sobre como anfitriões e visitantes deveriam se tratar. Ser gentil e respeitoso com os estrangeiros era visto como um dever moral.

Período medieval  – a cortesia passou a ser formalizada com o código de cavalaria: os cavaleiros tinham um conjunto de regras que incluíam:  respeito às damas, proteção dos fracos e um comportamento nobre. Muitas das ideias de gentileza e boas maneiras que temos hoje foram moldadas por essa tradição.

A Igreja Católica também teve um papel importante em promover a gentileza como uma virtude: ofoco na caridade e no “amor ao próximo”. Ser bondoso e generoso, principalmente com os necessitados, era altamente valorizado.

Renascimentoo comportamento cortês passou a ser associado à educação e ao refinamento, especialmente nas cortes europeias. Ser gentil e educado era visto como um sinal de sofisticação, e surgiram os primeitos tratados sobre etiqueta e conduta social.

Século XVIII – filósofos como Voltaire e Rousseau introduziram ideias de igualdade, respeito e civilidade, que ajudaram a fortalecer a cortesia como uma parte importante de uma sociedade mais justa e iluminada.

Séculos XIX e XX – com a urbanização e a industrialização,  as regras de cortesia passaram a ser adotadas por todas as camadas sociais, não apenas pela nobreza. Ser gentil e educado virou sinônimo de cidadania e boa convivência, tanto em espaços públicos quanto privados.

Desde as primeiras civilizações até os dias de hoje, a cortesia e a gentileza desempenham um papel crucial na maneira como nos relacionamos. Essas qualidades foram evoluindo ao longo do tempo, refletindo os valores de cada época, mas sempre mantendo seu papel como base para uma convivência mais harmoniosa e respeitosa.




Quando aceitar – ou não – uma gentileza

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A mãe de minha amiga, uma senhora espanhola que sabia das coisas, sempre orientava os filhos nesse sentido da seguinte forma:

Ela dizia que, se a pessoa oferece por exemplo um café – você não precisa aceitar. Ou uma água, refresco e até mesmo docinhos ou uma refeição.

Já, se ela chega com a bandeja de café já montada e o café fumegando (ou a jarra com copos e um refresco) você não pode recusar.

Afinal, a pessoa se deu ao trabalho de preparar aquilo para você – e seria indelicado nem experimentar.

Parece uma simples nuance – mas faz toda a diferença, pois muitas vezes achamos que estamos sendo gentis e não queremos dar trabalho mas, na verdade, estamos frustrando uma expectativa de alguém que se empenhou para agradar e pode achar que é pouco caso da nossa parte.

Pois é: para não errar sem querer e magoar o outro sem necessidade,  basta prestar atenção e atentar para esse detalhe sempre que alguém for gentil com você.




Melhor ser balão que alfinete

Nós somos gentis conosco mesmo? Para entender a melhor essa importante qualidade, podemos começar fazendo essa pergunta – primordial para desenvolver nosso pensamento sobre o assunto: o quanto nós somos gentis em nosso relacionamento intrapessoal (aquele em que somos nós e nós)…

É preciso esclarecer que ser gentil conosco, não é “passar o pano” para nossas palavras e atitudes. E sim, cuidar de nós mesmos, com carinho, compreensão, coragem e vontade de melhorar, crescer, nos tornarmos cada vez mais ‘do bem’.

Não é papo de almanaque: arrisco afirmar que apenas sendo gentis primeiro conosco, conseguiremos ser naturalmente gentis com os demais.


Ser gentil com o outro
– envolve tantas percepções, cuidados e delicadezas… Além de ser um exercício agradável depois que nos acostumamos a ele: é preciso sempre estar atentos para as condições em que o outro se encontra. Isso envolve percepção ligada e sensibilidade…

Quando conquistamos a capacidade de calçar o sapato do outro (a tão usada, mas menos praticada empatia), automaticamente passamos a ser mais e generosos com nossos interlocutores. Provocando, sem perceber, uma onda de gratidão e bons sentimentos.

Receita da gentileza – cautela e generosidade como base, claro. Um toque de humor e leveza, a capacidade de rir de si próprio (ajuda muito) e, finalmente, uma boa dose de flexibilidade (ou jogo de cintura) que facilitam qualquer relação. Ingredientes que apreciamos imensamente nos outros e que, por custar pouco, embora sejam raros, devemos usar em cada pequeno gesto cotidiano e não apenas (forçadamente) em ocasiões especiais.

Acredite: ser gentil na conjuntura em que vivemos, nos torna especiais e valiosos. Sabe por quê? Segundo a professora Astrid  Bodstein, de Cuiabá, que inspirou esse texto, é porque hoje somos  “balões cheios de sentimentos, rodeados de alfinetes”

A imagem é perfeita! Infelizmente, há muito mais pessoas querendo nos espetar/machucar, do que nos abraçar empaticamente com carinho verdadeiro e altruísta. Exemplo prático deste contexto: se puder deixar de comentar algo que não vai acrescentar nada para o outro, ou pior ainda, algo que talvez vá machucar, cale-se. Abstenha-se. Essa deve ser a nossa escolha amorosa.

Para todos – Muitas vezes vemos pessoas supersimples, rústicas mesmo, com gestos de extrema delicadeza – elas nos surpreendem – mas é que já nasceram com o instinto do quanto se pode alcançar mais conquistar boa vontade dos outros apenas pela gentileza…

Pois é: gentileza é como a água na natureza: está ao alcance de todos, mas a palavra-chave é “cuidados”. Aguce sua percepção, incorpore aos poucos palavras e atitudes gentis. E repare como a vida fica muito mais leve quando somos gentis!!! E voltando a imagem do balão: prefiro ser balão, pois além de ninguém gostar de alfinetes, tendemos a usar os mesmos para tarefas provisórias e imediatamente guardá-los isolados, em caixas seguras pois ninguém quer ficar perto deles.