Mulheres sobre o fio da navalha

Para quem ainda não ouviu falar, e segundo a OMS, esse tipo de esgotamento não é uma doença ou condição médica, mas um fator que influencia  (negativamente) nossa saúde.

Primeiramente vamos entender Burnout significa: Herbert Freudenberger definiu como um estado de exaustão causado pelo excesso de trabalho… prolongado.

Sobrou para elas – ok, desde sempre a rotina das mulheres é mais apertada do que ados homens: elas tem jornada dupla, e muitas vezes, tripla – cuidando de casa e filhos, além de trabalhar fora.

E, desde 2020 essa carga, para as que trabalham aumentou muito mais. Ora, os homens (mesmo os de países ditos “desenvolvidos” e menos machistas “ajudam em casa”, mas não arcam com toda a carga doméstica. Já elas, depois da pandemia, acumularam várias funções com o home office em tempo integral e mal tem tempo de respirar e dormir…

Ajuste demorado – após uma retomada parcial às atividades presenciais, mesmo com muitas profissionais trabalhando de forma híbrida, a situação, que teoricamente  poderia ter melhorado, não avançou muito e, em alguns aspectos, até piorou. E nesse momento, apareceu o esgotamento mental/emocional.

Além do burn-out, salário inadequado e falta de oportunidades fazem com que mulheres queiram deixar seus empregos atuais. Algumas reclamam que os benefícios do trabalho híbrido ainda não são percebidos, e assédio e microgressões aumentaram.

De acordo com Venus Kennedy, sócia e líder do Delas (programa de diversidade de gênero da Deloitte no Brasil),  no ano passado já havia insatisfação e esgotamento por parte das profissionais mulheres, como resultado de uma desigualdade de gênero que ainda existe dentro das empresas.

Fenômeno mundial – ok, não é só aqui: entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, a Deloitte Global realizou uma pesquisa com 5.000 mulheres em 10 países para explorar como as mulheres em todo o mundo avaliam sua satisfação geral, e motivação no local de trabalho.

Das 500 mulheres consultadas no Brasil, a ampla maioria (96%) trabalha em tempo integral. 43% estão atuando de forma híbrida, 37% de forma remota e 20% totalmente presencial.

Mais da metade (52%) das brasileiras entrevistadas têm entre 39 e 54 anos masssss…. isso não quer dizer que não exista já um batalhão de jovens mulheres estressadas e muito pessimistas em relação ao futuro e suas perspectivas profissionais.

Tem solução? Claro que sim. Mas passa por uma mudança radical em nosso comportamento e prioridades. Aliás, precisamos, definitivamente aprender a priorizar. E isso significa abusar da palavra não.

“Não vou”, “não dá tempo”, “não sei fazer”, “não  posso”, “não gosto”, “não quero”, “não enche!”, – viram quantas possibilidades uma simples palavra nos oferece? Aprender a dizer não é meio caminho andado para uma vida com maior qualidade e que atenda mais a nossos desejos e preferências. Pena que aprendi tarde, mas compartilho agora essa dica tão simples. Comece por aí – e depois me conte!




Privacidade: resgate necessário e urgente!!!

O conceito é bem conhecido dos verdadeiramente elegantes, pena que, a cada dia, sejam mais raros. No entanto, resgatar o conceito, não apenas pode ser salutar para nos proteger dos excessos da super exposição como também exercitamos a discrição, qualidade que pode acabar te destacando em uma multidão de exuberantes e cafonas exibicionistas.

Pensando nisso, compartilho a necessidade de preservarmos certos momentos, reservar para poucos algumas vivencias – ou apenas para nós mesmos – e, de quebra dar um upgrade em nossa imagem, uma vez que não estaríamos constrangendo outros a compartilhar questões que realmente a poucos interessa!

Cansei de ouvir “meu corpo, minhas regras” em referência a assuntos que pouco tem a ver com o corpo e as regras – e muito mais com o fato de invadir o outro com excesso de intimidade!!

Frescura? Nada disso. Você pode não se incomodar de amamentar em público, por exemplo. Mas, muita gente considera que isso deva ser feito com privacidade, não por uma questão moral, mas sim, por ser melhor para o bebê e a própria mãe que, em um momento em que literalmente está passando o alimento do seu corpo para outro, merece um respiro – e um momento de tranquilidade e não compartilhar o mesmo com uma multidão.

Fato – existem coisas e momentos que dizem respeito a intimidade da vida da outra pessoa – e isso pode se traduzir em gestos, palavras, espaços ou atos. Assim como, ainda existe sim, muita gente que não gosta de compartilhar absolutamente tudo da sua vida – quer apostar?  Se você não quiser ser o mala que invade e é inconveniente, comece a exercitar a discrição – qualidade que ajuda a entender o caminho até a privacidade. Alguns exemplos:

Quarto e cozinha – pedir para ver/conhecer a ala íntima da casa é imperdoável. Sim, sei que hoje, muita gente adora mostrar e fazer o tour: mas é constrangedor para o visitante ter que entrar em contato com objetos pessoais e medicamentos pelo banheiro, ou mesmo roupas sobre a cama etc.  Cozinha pode? Claro que sim. Desde que seja franqueada pelo anfitrião. Há quem não goste.

Perguntar quanto ganha – ou quanto custou. Não dá.  Há quem não se incomode, mas, a maioria das pessoas se importa e muito. Não, não é natural falar de dinheiro o tempo todo – embora não seja pecado, quando se trata de salário ou gasto próprio, é invasivo sim!

Intimidades – suas ou do cônjuge. A quem interessa senhor? Não tem a menor graça – pois o que pode parecer muito sensual na hora para alguns é prá lá de grotesco ou mesmo nojento para outros. Simples assim.

Doença e relatórios médicos – para que comentar? E descrever? E se queixar? Exceto em caso de doenças graves e necessidade de apoio (que pedimos para poucos e bons amigos e familiares) de nada adianta compartilhar tristezas e mazelas com quem pouco poderá fazer para mitigá-las…

Existem muitos outros assuntos e momentos que não precisam ser tão expostos – e acredite, a partir do momento que entendemos isso, passam a fluir muito melhor do que quando a mercê da inveja e palpitaria geral da galera!