1

A cortesia começa com o silêncio

Mas o uso indiscriminado do celular em ambientes públicos tem gerado desconforto e ruído nas interações sociais. Assim como aprendemos regras de convivência à mesa ou no trabalho, é fundamental desenvolver uma etiqueta digital que reflita respeito pelo espaço e pelas pessoas ao nosso redor.

Volume – o uso de fones de ouvido é indispensável em locais públicos – para ouvir áudios ou assistir vídeos. E para ligações simples fale baixo ou use também os fones. Simples assim: ninguém precisa participar involuntariamente de conversas alheias ou escutar trilhas sonoras e podcasts no transporte, na sala de espera ou na fila do banco. A cortesia começa com o silêncio.

Comportamento em interações presenciais – estar fisicamente com alguém e ao mesmo tempo imerso no celular transmite desinteresse e falta de consideração. Evite manusear o aparelho enquanto conversa especialmente em encontros sociais, reuniões ou refeições. A atenção é uma forma de respeito — e, hoje, um sinal valioso de gentileza.

No trabalho ou estudando – manter o celular em modo silencioso ou vibratório é essencial. Atender ligações pessoais em voz alta ou responder mensagens durante compromissos profissionais compromete a imagem de profissionalismo.

Teatros, cinemas, igrejas ou cerimônias – o ideal é desligar o aparelho ou ativar o modo avião. A luz da tela ou o simples toque pode interromper momentos importantes e incomodar as pessoas.

Fotos ou vídeos de pessoas desconhecidas – fazer sem permissão é uma violação de privacidade. O fato de estar em um ambiente público não torna essa prática aceitável. A etiqueta moderna envolve ética e empatia digital.

O uso consciente do celular em locais públicos vai além de boas maneiras — é um exercício de convivência e empatia. Quando usamos a tecnologia com responsabilidade, mostramos não só educação, mas também consideração pelo outro. E essa é, sem dúvida, uma das formas mais nobres de civilidade. Se o celular é parte da nossa vida, que seja também um reflexo da nossa melhor versão.




Cortesia e Gentileza ao Longo da História

Hoje, cortesia e a gentileza, podem até andar mais escassas, mas ambas têm raízes profundas: eram super valorizadas desde sempre na história da humanidade – e evoluíram moldando-se conforme as mudanças culturais, religiosas e filosóficas de cada era.

Para entender melhor sua necessidade  hoje, acho essencial saber como surgiram e se transformaram ao longo da história.

Nas civilizações mais antigas no Egito e na Mesopotâmia, já existiam regras de conduta que promoviam o respeito e a boa convivência. A maneira como as pessoas interagiam era muitas vezes ditada pela hierarquia social e pela necessidade de manter a harmonia na comunidade.

Os gregos antigos valorizavam muito a “xenia”, uma espécie de hospitalidade, com regras claras sobre como anfitriões e visitantes deveriam se tratar. Ser gentil e respeitoso com os estrangeiros era visto como um dever moral.

Período medieval  – a cortesia passou a ser formalizada com o código de cavalaria: os cavaleiros tinham um conjunto de regras que incluíam:  respeito às damas, proteção dos fracos e um comportamento nobre. Muitas das ideias de gentileza e boas maneiras que temos hoje foram moldadas por essa tradição.

A Igreja Católica também teve um papel importante em promover a gentileza como uma virtude: ofoco na caridade e no “amor ao próximo”. Ser bondoso e generoso, principalmente com os necessitados, era altamente valorizado.

Renascimentoo comportamento cortês passou a ser associado à educação e ao refinamento, especialmente nas cortes europeias. Ser gentil e educado era visto como um sinal de sofisticação, e surgiram os primeitos tratados sobre etiqueta e conduta social.

Século XVIII – filósofos como Voltaire e Rousseau introduziram ideias de igualdade, respeito e civilidade, que ajudaram a fortalecer a cortesia como uma parte importante de uma sociedade mais justa e iluminada.

Séculos XIX e XX – com a urbanização e a industrialização,  as regras de cortesia passaram a ser adotadas por todas as camadas sociais, não apenas pela nobreza. Ser gentil e educado virou sinônimo de cidadania e boa convivência, tanto em espaços públicos quanto privados.

Desde as primeiras civilizações até os dias de hoje, a cortesia e a gentileza desempenham um papel crucial na maneira como nos relacionamos. Essas qualidades foram evoluindo ao longo do tempo, refletindo os valores de cada época, mas sempre mantendo seu papel como base para uma convivência mais harmoniosa e respeitosa.