1

Natal com sabor de novidade

Sair do óbvio não significa abandonar o espírito natalino, e sim reinventar a forma de celebrá-lo. É possível manter a essência das tradições, mas com um toque de originalidade que desperta os sentidos e torna a noite ainda mais especial.

Em vez do clássico peru, que tal um assado com temperos diferentes — cordeiro com ervas frescas, um peixe bem-preparado ou uma ave com recheio leve e aromático? A farofa pode ganhar versões com frutas secas e castanhas brasileiras; o arroz, um toque cítrico ou de coco; e a salada, cores e texturas que tragam frescor. O segredo é equilibrar tradição e personalidade: respeitar o sabor afetivo das receitas antigas, mas abrir espaço para o novo.

Até os acompanhamentos podem se reinventar. O panetone, por exemplo, pode virar sobremesa em taças individuais com creme e frutas; o sorvete pode substituir o pudim, trazendo leveza ao final da refeição. E por que não explorar ingredientes locais, dando protagonismo ao que é da nossa terra? A elegância da mesa está, hoje, muito mais na autenticidade do que na ostentação.

Na etiqueta contemporânea, o anfitrião elegante é aquele que pensa na experiência de todos: oferece opções leves, acolhe restrições alimentares, planeja porções equilibradas e serve com cuidado. O bom gosto se expressa tanto no cardápio quanto no gesto — servir com gentileza, valorizar o tempo de preparo e transformar o momento em partilha.

Sair do óbvio na ceia de Natal é um gesto de criatividade e carinho. É repensar o que servimos não apenas pelo sabor, mas pelo significado. Quando o cardápio reflete afeto, equilíbrio e cuidado, a mesa se torna mais do que um cenário: vira o coração da celebração. E é aí que o Natal se torna realmente inesquecível — quando cada prato conta uma história nova, mas temperada com o mesmo amor de sempre.




Baguete – aprenda a degustar como os franceses

Crocante por fora, macia por dentro e com um aroma inconfundível, a baguete conquistou o mundo, mas, com ela vêm também algumas regras de etiqueta que, na França, são levadas a sério. Saber como comer uma baguete no país de origem — e fora dele — é compreender que a gastronomia também é linguagem, feita de gestos, hábitos e tradições.

Na França – a primeira regra é simples, mas importante: nunca peça que fatiem sua baguete na padaria. Ela deve ser vendida inteira, e cabe a você cortar (ou, mais tradicionalmente, rasgar com as mãos) o pedaço que vai consumir. É comum ver franceses saindo da boulangerie – padaria – com a baguete debaixo do braço e, sem cerimônia, beliscando a ponta ainda quente no caminho para casa. À mesa, no entanto, a regra é clara: nada de cortar com faca grandes fatias — a etiqueta manda que se parta o pão em pequenos pedaços, levados diretamente à boca.

Outro detalhe curioso: na França, a baguete não é usada para “empurrar” a comida no prato, prática comum em outros países. Ela serve, sim, para acompanhar queijos, patês ou para ser mergulhada em molhos, mas sempre de maneira discreta. O pão deve estar presente, mas nunca roubar a cena.

Fora da França, a baguete ganhou novos costumes:

Brasil – é comum cortá-la em fatias, rechear com frios e transformá-la em sanduíches, ou servi-la na cestinha de pães durante refeições.

Estados Unidos – ela se tornou base de bruschettas, torradas ou acompanhamentos mais robustos.

Espanha muitas vezes substitui o pão local e aparece como acompanhamento de tapas, mergulhada em azeite ou servida com tomate.

Vietnã – a influência francesa do período colonial resultou no icônico bánh mì: baguete crocante recheada com carnes, vegetais, coentro e molho picante — um dos maiores símbolos da fusão cultural.

Ainda assim, é interessante adotar alguns gestos franceses: respeitar a crocância, evitar exageros nos recheios e, principalmente, apreciar a simplicidade do pão, que é o verdadeiro protagonista.

Comer baguete pode parecer algo banal, mas na França é quase um ritual. Não se trata apenas de matar a fome, mas de valorizar a tradição, a textura e o sabor desse pão que atravessa gerações. Adaptar a baguete aos nossos hábitos é natural, mas conhecer as regras de etiqueta do país de origem é uma forma de respeito cultural — e até de enriquecer nossa experiência gastronômica. Afinal, cada pedaço de pão conta uma história, e a da baguete é, sem dúvida, uma das mais deliciosas do mundo.




Bacalhau à Gomes de Sá – Chef Paulo Shibata

Ingredientes

04 postas de bacalhau dessalgado

04 batatas médias 2 ovos

350g de azeitonas roxas sem caroço

500ml de azeite de oliva extravirgem

250ml de óleo vegetal

01 buquê de ervas aromáticas (tomilho, orégano, alecrim, folhas de alho poró, talos de salsinha ou de coentro)

2 cebolas grandes cortadas finalmente

2 dentes de alho picados

salsinha picada a gosto

sal e pimenta-do-reino a gosto

Como fazer

Retire a pele e as espinhas da postas de bacalhau dessalgadas, deixando apenas os medalhões do lombo. Reserve as aparas e os medalhões.

Em uma panela, coloque as batatas higienizadas, com cascas e inteiras, e uma pitada de sal. Cubra com água e leve ao fogo até ficarem macias.

Coloque os ovos para cozinhar em água fervente (6 minutos para ovos moles). Em seguida, na mesma água, cozinhe azeitonas por 30 segundos.

Em uma panela, coloque todo o azeite e misture com o óleo. Acrescente as ervas aromáticas e os talos, os dentes de alho e 2/3 da cebolas. Leve a fogo baixo (em torno de 90 °C), até se levantar em pequenas bolhas. Com o azeite quente, coloque todos os medalhões de bacalhau e tampe a panela. Após 5 minutos, desligue o fogo e mantenha a panela tampada por mais 5 minutos. Em seguida, retire os lombos e coe todo o líquido, reservando o azeite e descartando o restante.

Aplique um pouco de força as batatas cozidas, para ficarem levemente amassadas e se abrirem. Em uma frigideira, verta um pouco do azeite coado, aqueça e coloque as batatas. Tempere com sal e pimenta-do-reino e doure dos dois lados. Verta mais azeite e acrescente as azeitonas, o restante das cebolas e a salsinha picada. Cozinhe até as cebolas murcharem e depois desligue o fogo.

Descasque os ovos e os corte ao meio.

Para finalizar o prato, coloque as batatas por baixo e, por cima, os medalhões, as cebolas, as azeitonas e os ovos. Só pique com um pouco de salsinha e regue com bastante azeite.

O Chef Paulo Shibata se destacou no cenário culinário por sua habilidade em combinar técnicas tradicionais com ingredientes locais, criando pratos inovadores e sofisticados. Além de seu trabalho em restaurantes, também atua como consultor gastronômico, ministra workshops e participa de eventos culinários, compartilhando seu conhecimento e paixão pela culinária com o público.

Contato: @phshibata e @ @redredcompany




Tavernas e estalagens: as ancestrais dos restaurante

Antes de se popularizarem como os conhecemos hoje, os restaurantes não eram lugares para comer fora e sim, estabelecimentos onde os viajantes poderiam dar água e alimento aos cavalos e, eventualmente passar a noite antes de seguir viagem. Eram as estalagens, rústicas e cm um canto reservado para as refeições – quase sempre comunitárias.

Esses estabelecimentos eram muito diferentes dos restaurantes modernos e certamente menos confortáveis, mas ainda assim, um ponto de encontro importante onde muitas informações podiam ser trocadas.

As mesas eram grandes e comunitárias, muitas vezes feitas de madeira robusta. O ambiente era simples e a iluminação vinha de velas ou lâmpadas a óleo, criava uma atmosfera meio intimista, mas bem longe do conforto que temos hoje. As tavernas eram conhecidas por serem lugares barulhentos, cheios de conversas animadas e, claro, com muita bebida rolando.

O cardápio tinha poucas opções: os pratos eram simples como ensopados, pães, carnes assadas e vegetais da estação. Nas tavernas, o foco não era exatamente a comida — as bebidas, principalmente a cerveja e o vinho, eram a estrela do show.

Já nas estalagens, que também ofereciam hospedagem, o cardápio podia ser um pouco mais variado, mas a comida ainda era rústica, feita com os ingredientes que estavam à mão, principalmente nas regiões rurais. E tanto tavernas quanto estalagens tinham uma clientela bem variada.

Viajantes e comerciantes: eram o destino preferido de quem estava viajando, seja para descansar ou se alimentar. Comerciantes, mensageiros e peregrinos faziam parte do público regular.

Habitantes locais e trabalhadores: tavernas eram super populares entre a população local e os trabalhadores. Era o lugar onde as pessoas se reuniam para uma refeição rápida e uma bebida, sem grandes cerimônias. A versão antiga dos pubs ingleses ou dos botequins por aqui…

Nobreza em viagem: Embora mais raramente, até os nobres frequentavam as estalagens (escolhiam as de maior prestígio) quando estavam na estrada. Nelas, podiam esperar um pouco mais de conforto e refeições mais refinadas.

As tavernas e estalagens reinaram por séculos, com registros desses estabelecimentos que remontam à Grécia e Roma antigas. Na Europa medieval, eles continuaram a ser os principais pontos de alimentação fora de casa até o século XVIII. Foi só com o surgimento dos primeiros restaurantes, especialmente em cidades como Paris, que o conceito de comer fora começou a ficar mais sofisticado, e as tavernas acabaram perdendo seu papel central.




Abobrinha Fit

Aqui em casa o chef é o Fernando. Que, sem querer “inventou” essa espécie de suflê de abobrinha. Amei porque sustenta e não é muito calórico – sem falar que a Valentina também gostou, então sempre que dá, faço aqui.

Ingredientes

2 abobrinhas italianas raladas no ralador menor;

Meia xícara de farinha de rosca bem fininha (da sua preferência);

Pimenta do reino e sal a gosto;

1 ovo inteiro para dar liga;

1 ou 2 colheres de sopa de queijo ralado.

Modo de Fazer:

Misture a mão (ou com a mão) a abobrinha ralada, a farinha e o ovo até virar uma massa.

Tempere com sal e pimenta a gosto e coloque em um refratário untado com azeite.

Polvilhe com queijo ralado e leve ao forno por cerca de 15 a 20 minutos até dourar e firmar a massa.

Você pode servir em um refratário médio ou apresentar em cumbucas pequenas e individuais com uma “entrada “…