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O que o livro “Ainda Estou Aqui” nos mostra

Ao contar a história de sua mãe, Eunice Paiva, que enfrenta o Alzheimer, e do desaparecimento de seu pai, Rubens Paiva, durante a ditadura militar, Marcelo constrói uma obra que vai muito além de sua biografia e toca em temas universais e ainda muito atuais. Mesmo sendo uma história do passado, as reflexões trazidas pelo livro têm grande relevância nos dias de hoje.

Memória e verdade histórica – ainda enfrentamos debates sobre os crimes da ditadura, e o Brasil luta para resgatar sua memória coletiva. No atual cenário, em que revisões históricas são feitas e, muitas vezes, fatos do período militar são negados ou distorcidos, o livronos lembra da importância de lembrar e confrontar o passado, evitando que os mesmos erros se repitam.

Discussão sobre saúde mental e envelhecimento – a experiência da mãe de Marcelo com o Alzheimer reflete desafios enfrentados por muitas famílias atualmente, em um Brasil com uma população idosa crescente e questões de saúde mental cada vez mais presentes. O cuidado com familiares que perdem sua autonomia, a progressiva perda de quem ainda está vivo, são temas que ressoam com muitas pessoas nos dias de hoje.

A resistência e a luta por direitos humanos – em tempos de polarização política, o exemplo de Eunice é uma referência para quem ainda batalha por direitos civis e liberdade.

Reconstrução familiar – as transformações nas dinâmicas familiares, sejam causadas por questões políticas, sociais ou por doenças, são um reflexo de muitas realidades contemporâneas

Vulnerabilidade e força feminina – a luta de Eunice pelo marido e pela família, mesmo enfrentando doenças, perdas e um contexto político adverso, reflete as lutas das mulheres contemporâneas por igualdade e empoderamento. Hoje, com o movimento feminista ganhando mais espaço, sua história ressoa com a luta por direitos das mulheres.

O livro é um lembrete do perigo do autoritarismo e da importância de preservar a democracia e a memória coletiva. É um convite para olharmos para nossa história, nossas famílias e nosso futuro, com a sensibilidade de quem entende que, mesmo diante das maiores perdas, ainda é possível estar presente, resistir e lembrar.




Carnaval 2025 e o brilho do Cinema Brasileiro no Oscar

Sob a gestão do prefeito Eduardo Paes, a cidade do Rio investiu ainda mais em infraestrutura, segurança e apoio às escolas de samba, garantindo um desfile à altura da paixão carioca pela festa. No meio do fervor carnavalesco, uma presença ilustre chama atenção: Fernanda Torres, uma das grandes atrizes do Brasil, que este ano brilha não só na Sapucaí, mas também no tapete vermelho do Oscar.

O rosto de Fernanda Torres, inclusive, se tornou uma das máscaras mais vendidas deste Carnaval, demonstrando o impacto cultural que a atriz e seu mais recente trabalho, Ainda Estou Aqui, estão gerando.

O filme, dirigido por Walter Salles e baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, aborda memória, resistência e identidade brasileira. Acompanhamos a história de uma família marcada pela ditadura militar e suas consequências no presente, refletindo sobre o impacto das perdas e a luta pela verdade.

Com um enredo poderoso e atuações marcantes, Ainda Estou Aqui conquistou reconhecimento internacional e recebeu indicações ao Oscar 2025 nas categorias de Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz (para Fernanda Torres) e Melhor Filme. O longa reafirmou o talento nacional no cenário cinematográfico global e fortaleceu a cultura brasileira em um dos eventos mais prestigiados do mundo.

No Rio de Janeiro, quem não dispensa a festa na Marquês de Sapucaí, mas também acompanha o Oscar, poderá unir as duas paixões. Segundo Gabriel David, presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), já estão sendo realizados ajustes para que os foliões acompanhem o anúncio dos vencedores da premiação:

“A nossa equipe de comunicação está estudando, tem algumas opções que já estão sendo faladas. A nossa ideia, a grosso modo, é poder falar um pouquinho do que está acontecendo no Oscar para todo mundo que está ali, entendendo que somos o maior movimento cultural desse país e lá a gente também está falando da cultura e da importância do nosso país para o mundo”.

Para Eduardo Paes, a combinação entre Carnaval e Oscar simboliza a capacidade do Brasil de encantar o mundo com sua criatividade e talento.

Independentemente do resultado do Oscar, Ainda Estou Aqui já representa uma grande vitória para o Brasil. Como ressaltou Gabriel David, “vai muito além do filme e só dela. A gente tem uma história muito importante que precisa ser reverenciada pela sociedade brasileira”. Seja nas arquibancadas da Sapucaí ou diante das telas de cinema, 2025 se firma como um ano inesquecível para a cultura brasileira, unindo festa, arte e história em um só momento.