Pitaco

Fé: ou se acredita ou não.

Foto em preto e branco, de uma bebê com 6 meses, recebendo o batismo - a água escorre pela cabeça e ombros nus , enquanto ele aperta as mãos juntas como se estivesse em prece.
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Foto em preto e branco, de uma bebê com 6 meses, recebendo o batismo - a água escorre pela cabeça e ombros nus , enquanto ele aperta as mãos juntas como se estivesse em prece.

 Em mais de uma ocasião na vida, quando tudo parecia conspirar contra, o jogo virou aos 45 de segundo tempo – inexplicavelmente.

Mas é claro que, se fizer um esforço de memória, lembrarei de ter pensado, acreditado e argumentado intensamente com alguém e algo que sempre senti por perto. E de ter sido atendida.

Há dois anos atrás, no dia de Natal, no final da tarde, deitada no sofá em frente a TV olhei para o telefone e pensei em ligar para meu pai, com quem não falava há dois dias. Lembrando que o veria logo mais à noite, me entreguei à preguiça e cochilei.

Acordei com o toque do telefone e meu irmão chamando: papai não estava bem e era bom ir pra lá logo. Cheguei em casa afobada (curioso como a casa em que a gente cresce, será sempre ” em casa”).

Papai estava sentado em seu lugar em frente a TV, olhos fechados com uma expressão de paz no rosto e, já do outro lado da Vida, parecia muito melhor do que na última semana, em que se queixava de de falta de ar.

retrato em preto e branco, de Claudia Matarazzo aos 26 anos de idade vestida com um longo rodado e dourado, valsando com seu pai - um senhor de terno escuro e cabelos prateados. O retrato foi tirado na gravação do programa "Festa Baile"

Papai e eu na gravação do programa “Festa Baile”em 1986

Partiu aos 84 anos, sem sofrer e acordou do outro lado. Max, o belo labrador marrom continuava a seus pés. Mamãe mais tarde me disse que, na véspera, meu pai comentara que o cão havia passado o dia muito estranho, que se continuasse assim o levaria ao veterinário depois do Natal.

Nos últimos anos, vinha me despedindo de papai praticamente todos os dias – de puro medo dessa despedida derradeira.

Pode parecer um enorme contra senso e uma heresia para alguns, mas, naquele Natal soube que não me haviam privado de meu pai – que cumprira tão bem sua missão por aqui.

Alguém do além havia dado a ele, e a todos que o amaram, o enorme presente de uma morte digna e tranquila.

Nos dias que se seguiram, uma estranha força me acompanhou. E Agradeci tanto essa graça que a saudade se revestiu de paz.

 

 

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2 Comentários

  • Responder
    Kátia Braz
    24/12/2014 as 08:57

    Linda mensagem, seu Pai está em paz! Linda aquela foto de vocês, sua Finesse veio dele! Aprendo todos os dias com você, Feliz Natal!
    Beijo,
    Kátia.

    • Claudia Matarazzo
      Responder
      Claudia Matarazzo
      05/01/2015 as 13:33

      Oi Kátia, valeu querida – voltei agora de viagem e estava sem conexão então só hoje vi as inúmeras mensagens de todos ! Um beijo e ”’ótimo 2015 pra você!

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