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Ler para conviver: quando ampliar o olhar é obrigatório

Vivemos entre certezas rápidas, opiniões firmes e regras prontas. É um momento em que, tanto a leitura quanto a etiqueta correm o risco de serem usadas apenas como instrumentos de confirmação: lemos para concordar (ou não), seguimos normas para parecer corretos. Mas tanto a boa leitura quanto a verdadeira elegância existem para algo maior — ampliar o olhar, refinar a percepção e questionar limites e regras para evoluir e inovar, e por fim, melhorar a forma como convivemos.

Pode até parecer papo de velho mas a verdade é  que, desde sempre a leitura – feita sem pressa, com foco e intenção – é uma das formas mais seguras e eficazes de adquirir conhecimento  e ao mesmo tempo distrair e/ou divertir a mente .Tirar o foco de problemas ou de uma realidade árida e apresentar outros mundos, hábitos, e soluções antes sequer imaginados.

O exercício da travessia – cada livro nos convida a entrar em outra realidade, outro tempo, outra forma de ver o mundo com lógica, verdades e personagens próprios. Ao escolher apenas o que nos é familiar,  o que confirma nossas ideias, perdemos a parte mais rica da experiência: o encontro com o diferente, um mergulho na diversidade que nos proporciona as mais variadas riquezas . A leitura madura exige humildade intelectual e um certo desconforto, mas é justamente isso que nos faz crescer, rever opiniões e nos tornar mais generosos nos julgamentos. Além de muito mais seguros em nossas escolhas.

Ampliando formas de elegância – durante muito tempo a pessoa  elegante  foi confundida com aquela que   conhecia e seguia protocolos à risca. Mas regras sem sensibilidade podem nos tornar corretos e, ainda assim, inadequados. O verdadeiro refinamento não está em recitar o manual, e sim em ler o ambiente: perceber quando acolher vale mais do que corrigir, quando simplificar é mais elegante do que complicar, quando o conforto do outro é mais importante que a própria performance.

Tanto na leitura quanto no convívio, o essencial é sair de si. Ampliar repertório, interpretar contextos, escolher o que constrói pontes — e não o que cria distâncias.

Ler para ampliar o olhar e agir com bom senso  (e generosidade) são expressões da mesma maturidade: escolher crescer em vez de apenas confirmar. No fim, o verdadeiro refinamento — intelectual e social — não está em ter sempre razão ou seguir todas as regras, mas em compreender melhor o mundo e agregar alegria às pessoas que vivem nele.