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Educação Inclusiva: lição para a nossa pátria educadora

Imagem com um fundo azul marinho, na base muitas figuras de pessoas , cadeirantes, muletantes, usando bengalas, e no topo em letras grandes, na cor branca , a esquerda Eu em negrito, abaixo sou, separado por um traço vertical rosa, está a direita Lei Brasileira de , na cor branca, Inclusão na cor rosa e abaixo "da pessoa com deficiência.

É neste cenário de exclusão que a nossa presidente Dilma Rousseff iniciou seu mandato sob o lema “Brasil, pátria educadora”, reduzindo cerca de 7 bilhões do custo anual da educação.


As notícias não são boas: apenas 6% dos professores que atuam na educação básica têm formação continuada específica em educação especial.
Segundo levantamento com base de dados dos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) na Escola, cerca de 140 mil crianças e jovens (que tem até 18 anos) estão fora da escola devido à deficiência, transtornos de desenvolvimento, autismo e inclusive superdotação .
Ou seja: a falta de estrutura e profissionais capacitados afastam toda sorte de diversidade humana da sala de aula. Isso sem falar de estudantes que não recebem o benefício e por isso não foram contabilizadas no estudo.
Dá para mudar? Apesar de parecer desanimador, dá sim!
Estamos trabalhando na Lei Brasileira da Inclusão (LBI), projeto do qual sou relatora e que pretendemos colocar em votação no início deste ano legislativo. O texto prevê mudanças importantes como:
– oferta de auxiliares de vida escolar aos educandos com deficiência
– detenção de 1 a 3 anos, além de multa, para quem recusar, suspender ou cobrar valores adicionais de um aluno com deficiência – pratica que hoje ocorre indiscriminadamente.
– reserva de no mínimo 10% de vagas para esses estudantes em cursos de educação profissional
– cursos de graduação e pós-graduação
– obrigação das universidades oferecerem conteúdos relacionadas à pessoa com deficiência em seus respectivos campos de conhecimento, como na arquitetura e medicina.
Não basta acolher : tem que incluir – aceitar apenas a matrícula de um aluno com deficiência não lhe garante bom aproveitamento ou chances de desenvolvimento. É preciso oferecer também o ferramental necessário para que possa explorar seu potencial.
Recursos para ensinar braile e Libras para as crianças com deficiência visual e auditiva, além de materiais especializados para estudantes com paralisia cerebral e deficiência intelectual.
Em alguns casos mais severos também se faz necessário o auxiliar de vida escolar para ajudar o aluno a desempenhar suas atividades no ambiente estudantil, como ir ao banheiro, se alimentar e participar do recreio.

Sempre em frente – temos outros desafios na área que vão muito além do investimento em estrutura física das escolas, como :
– a inclusão dos alunos com autismo, que sequer eram considerados pessoas com deficiência antes da sanção da Lei Berenice Piana,
– o atendimento aos estudantes com transtornos e distúrbios de aprendizagem, como a dislexia e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Lei: com apoio funciona mais e melhor – é isso aí. Esses avanços só se darão de fato depois de abraçados pra valer pela sociedade. A educação é, de todas as políticas públicas a mais transformadora.
Mas, para que ela aconteça é preciso impetrar um olhar coletivo e solidário para cada realidade. Todos os exemplos bem sucedidos de educação só aconteceram pela parceria entre Estado, escola e comunidade.
A própria LBI é um exemplo de projeto construído com a plena participação da sociedade civil.
Aprenda a cobrar – e não apenas os seus direitos, mas o dos outros – porque não? Cobre a escola para começar, bem é tão complicado. E sempre ajuda cobrar seu representante no Congresso. Mas, aprenda a cobrar a si mesmo. Dá pra fazer um pouquinho mais? Em geral dá. E o resultado é um benefício retumbante!
Quando todos fazem a lição de casa, a inclusão se torna um recreio – e todo mundo cresce.




Carnaval e Inclusão – vamos sair nesse bloco?

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Pois é, sou assim: nunca curti pular e dançar . Talvez por indução dos meus pais que diziam: “Carnaval não é uma festa de Deus”.

Ok não é mesmo. Mas o feriado de Carnaval, continua sendo sempre bem vindo e esperado.

Há alguns anos conheci uma escola de samba no RJ que apresentou na avenida uma ala com várias pessoas com deficiência desfilando, na maior moral.

Achei que fosse uma empolgação de momento, mas, de lá para cá, o movimento não apenas aumentou como também aprimorou suas apresentações crescendo muito durante os anos que se seguiram.

“Embaixadores da Alegria” – com esse nome não deu outra: serão eles que irão abrir o Desfile das Campeãs do Carnaval Carioca, no dia 21 de Fevereiro próximo.

Nome do samba enredo: “Embaixadores da Alegria No Mundo Das Loucuras”. Mais adequado impossível.

90% da escola é formado por ‘foliões’ com alguma deficiência física, intelectual ou mobilidade reduzida. Vale a a pena ver.

Ingressos com desconto – essa é uma bela conquista: aqui em São Paulo é que a SPTuris oferece ingressos com desconto para pessoas com deficiência e acompanhante assistirem o carnaval paulista no Sambódromo.

São 70 lugares privilegiadíssimos, mas tem que se inscrever antes para garantir.

Pode melhorar – ok, adoro ver que estamos progredindo – até porque estamos mesmo. Mas é uma pena que ainda seja enorme a limitação para se chegar até os lugares, onde será o desfile.

O maior desafio – de quem quer assistir o desfile é para sair de casa e chegar até lá. Quase como uma corrida de obstáculos…

Para ser folião – quem tem alguma deficiência e quer desfilar na escola de samba tem que suar muito a camisa, ter muito bom humor e gente amiga para ajudar a convencer e explicar.

Quem disse que é fácil? Me lembro de um show no Morumbi, bem badalado, onde fui com uma amiga tetraplégica e outra andante.

Prontinhas para entrar, com os ingressos na mão, e o cara da portaria criou uma regra na hora que, por ali (o local reservado) só poderiam passar 2 – e estávamos em 3.

Explicamos que só entraríamos juntas, que não ocuparíamos lugar privilegiado, apenas ficaríamos próximas porque estávamos juntas…

Muita lábia depois – perdemos mais de 20 minutos argumentando – ele se cansou e entramos.

E aí tem que ter muito bom humor e presença de espírito para não deixar esse tipo de episódio estragar a noite e curtir o show.

É o que desejo a toda galera com e sem deficiência nesse carnaval : eu certamente estarei quietinha em casa, mas espero de verdade que não nos falte a alegria dos foliões e a paciência dos monges para todos curtirmos a folia ou o feriado, como cada um preferir!

 

Lilian C. Fernandes




Educação para todos – sala especial ou escola inclusiva?

Em uma imagem de fundo branco destaca-se a sombra negra de cinco crianças. No centro está uma de cadeira de rodas e a sua direita uma menina em pé ao lado de um menino também em pé com uma bola entre as pernas em posição de quem vai chutar a bola. A esquerda da cadeira de rodas um garoto em pé de boné interage com uma menina sentada no chão. O grupo sugere interação entre os cinco em clima de brincadeira.

 Mas nunca vi aquilo como uma segregação, sempre com uma super proteção para os alunos com deficiência.

Quando criança começava o mês de janeiro preocupada com a escola: será que vou mudar de sala (na minha época a gente mudava), quem vai estar na minha sala? Quem serão meus professores? E isso me causava angústia e medo.

Fazendo uma retrospectiva de final de ano, lembrei desta época remota, tentando imaginar, com seria ir pra escola nos hoje, em que se fala de “total inclusão educacional”.

Ora, essa inclusão, na verdade só acontece no papel. Daí minha oreocupação em saber como se sentem as crianças e jovens com deficiência para encarar um novo ano escolar.

Intenção e lei sem controle não bastam – sou super a favor da inclusão escolar, afinal, nada melhor do que a convivência coletiva, reunindo diferenças, para crescermos como seres humanos.

Mas quando se fala em alfabetização e aprendizado, não basta a convivência – é fundamental muita dedicação, condições adequadas e material especializado.

Sem tecnologia assistiva, sem intérprete de libras, sem braille, com uma sala superpopulosa e uma professora tendo que dar conta de todo mundo – em geral sem especialização para isso.

E em meio a esse despreparo geral, está uma criança – com algum tipo de limitação – junto com as demais, sim, mas sem a atenção necessária para ser realmente incluída. Ora, esse tipo de situação pode criar mais angústias do que alívio, alguém duvida!?

Mães coragem – elas são um verdadeiro exercito de mulheres dispostas a dedicar cada segundo de suas vidas e cada fio de fôlego para preparar seus filhos para mundo. Desistem dos maridos, dos empregos, delas próprias para acompanharem suas crias na escola e dar apoio e colo.

Mas muitas desistem, diante dos poucos resultados que vêem. As que ficam, sentem-se como extraterrestes junto as demais, com filhos sem deficiência. Uma amiga minha passou isso com o filho que tinha paralisia cerebral: como só havia ele na escola com essa limitação ela não conseguia se sentir parte do todo e precisou procurar grupos para que ele visse que tem muita gente igual – vivendo, aprendendo e lutando.

Mais que só a matéria – pois é: além de condições reais e estrutura, é preciso também – e principalmente – atitude! E acima de tudo, amor no coração, olhar o próximo como alguém da sua família, humildade para aprender e depois ensinar e assim viver!

Por isso, nesse mês de janeiro, de aquarianas, como eu, e das capricornianas, todas que conheço, mulheres batalhadoras, produtivas, arrojadas e donas de si, dedico esse texto todas as essa mães, guerreiras das escolas, junto a seus filhos, as irmãs e filhas que jamais esmorecem em seu apoio aos irmãos. E, antecipando a data de março,   a todas as mulheres em geral.

Feliz ano novo – e, do fundo do coração, espero que seja sim, um feliz e sempre melhor ano escolar a todos os alunos – com e sem deficiência. Porque a inclusão funciona em mão dupla, certo?

 




Fantástico – Flavia Cintra – entra nessa onda…

http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/t/edicoes/v/stand-up-paddle-esta-cada-vez-mais-popular-e-acessivel-ate-para-cadeirantes/3886123/

No Programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, no dia 11-jan-2015, apresentou uma matéria sobre os esportes no mar, para todos. Afinal conforme mostramos no post “O Sol nasce para todos“, não existe limite para ser feliz.




O Sol nasce para todos

Mara Gabrilli, surfando no mar revolto, com ondas fortes. Ela está posicionada num tipo de cadeira flutuante, ao seu lado um surfista, nada ao seu lado e outro surfista logo atrás de pé com um remo nas mãos.

Mara Gabrilli surfando com alguns outros surfistas

Lazer e turismo são atividades importantes para a economia de um país, mas também contribuem para o bem estar do indivíduo. Infelizmente, o Brasil está muito aquém, inclusive, do básico.

A condição física ou sensorial de uma pessoa não a impede de desfrutar das belezas e atrações de um lugar. Depois de tetra, eu Mara Gabrilli, tive a incrível experiência de surfar. Apaixonada por água como sempre fui, não pude deixar de aceitar o convite do meu amigo Taiu, que também é cadeirante e mora no Guarujá, litoral sul de São Paulo.

Fico imaginando: se não fosse pela falta de investimento neste tipo de atividade, quantos surfistas com deficiência não estariam agora desafiando as ondas do nosso litoral brasileiro?

Fora do Brasil, ótimos exemplos – em Miami, percebe-se claramente que o Desenho Universal pode ser aplicado em qualquer ambiente, com água e areia. Na praia da Ocean Drive, avenida mais badalada da cidade, há uma esteira feita em treliça, construída sobre a areia, permitindo ao cadeirante fazer tranquilamente o trajeto até o ponto da praia. Só não é melhor porque não leva até o mar.

Há ainda o Board Walk, deck de madeira, totalmente plano, com corrimão em toda a sua extensão que beira a praia. Lá é comum avistar idosos, mães empurrando carrinhos de bebês, crianças, pessoas com deficiência, jovens… Toda a diversidade humana desfrutando o mesmo espaço.

Por aqui, nesse quesito ainda engatinhamos. Embora, já possamos contar hoje com programas como o ‘Praia Acessível’, além de agências de viagem especializadas em ecoturismo e turismo radical adaptados.

Depois de cadeirante, continuei minha busca por novas aventuras. Quando encontro uma brecha em minha agenda de trabalho me mando para algum canto do mundo, seja ele plenamente acessível ou não.

Afinal de contas a inquietude da alma nunca tira férias.

Mara Gabrilli , usando roupas esporte para surf, ela está nos braços de um outro atleta, também vestido com as roupas de mergulho e ao lado um outra jovem caminha, usando com bermuda vermelha e camiseta regata azul.

Mara Gabrilli saindo do mar após surfar em prancha adaptada

 

Mara Gabrilli, deputada federal, com seus longos cabelos loiros, sorrindo, ela usa uma camisa brancaMara Gabrilli, 46 anos, é publicitária, psicóloga, foi secretária da Pessoa com Deficiência da capital paulista e vereadora também por São Paulo. Atualmente é Deputada Federal pelo PSDB.
Aos 26 anos, sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica. Indignada com a falta de acessibilidade, fundou em 1997 a ONG Projeto Próximo Passo, hoje Instituto Mara Gabrilli, para promover acessibilidade, pesquisas e inclusão social em comunidades carentes e atletas com deficiência. Em Brasília, tornou-se a primeira deputada Federal tetraplégica do Brasil
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