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Café: além do sabor e aroma

O café é muito mais do que uma bebida — é um gesto social, um elo entre pessoas e um símbolo de pausa em meio à pressa cotidiana. Em torno dele nascem conversas, decisões e até silêncios compartilhados. No Brasil, onde o café é um patrimônio afetivo, esse ritual vai muito além do paladar: expressa hospitalidade, elegância e o prazer das pequenas pausas.

Quando preparado e servido com intenção, ele se transforma em experiência — um pequeno ritual que traduz o que há de mais refinado na etiqueta: a arte de valorizar o instante e o outro.

Nesses tempos de pressa e constante urgência, servir um café é um ato de delicadeza. Oferecê-lo a alguém é abrir um espaço de acolhimento — um convite à troca e à presença. A etiqueta que envolve esse gesto fala sobre atenção e respeito: a forma como se prepara, serve e saboreia o café revela mais do que bons modos; mostra cuidado com o outro. Uma mesa posta para o café, com xícaras escolhidas com esmero, açúcar na medida certa e uma conversa leve, é uma celebração silenciosa da convivência.
Mas o café também tem uma dimensão pessoal. Ele marca os momentos de introspecção, de pausa para pensar, escrever, sentir. Há quem o associe à produtividade, mas há também quem o veja como um ritual de reconexão. Tomar café sozinho, de forma consciente, pode ser um exercício de presença — um instante de prazer simples que devolve ritmo e serenidade ao dia.
O café é uma ponte entre o cotidiano e o afeto. É elegante quem entende que o gesto de servir é tão importante quanto o sabor servido. Escolher o momento certo, oferecer com gentileza, respeitar preferências — tudo isso compõe uma linguagem silenciosa de educação e empatia.
Café é pausa, vínculo e expressão de cuidado. É o ponto de encontro entre o sabor, o aroma e o gesto.
Ainda, o café perfeito não é o mais forte nem o mais caro, mas aquele que vem acompanhado de atenção, presença e gentileza.




2026 e o que nos trará o Ano do Cavalo

Durante todo o final de 2025 houveram considerações de como esse período não foi fácil no mundo e no Brasil. Guerras que não se resolveram, escândalos, feminicídios e crimes violentos que aumentaram… Difícil mesmo. Mas não quer dizer que o “Ano Velho” não mereça algumas considerações antes de ser descartado de vez rumo ao esquecimento.

Não sou uma otimista incorrigível – apenas detesto conviver com minha porção realista tendendo para o ceticismo. Considerando que 2026 será o ano do ano do Cavalo no horóscopo Chinês, isso significa que, em contraponto ao anterior da ardilosa Serpente, esse será um ano de ação, liberdade, energia e o caminhar sempre em frente. Tomara. Mas, em 2025, tivemos sim, no coletivo ganhos consideráveis. E o coletivo importa muuuuito.

Queda da pobreza (e desigualdade) – em 2024 o Brasil registrou  segundo pesquisas do Ipea, os menores índices de pobreza dos últimos 30 anos. Segundo os números, a renda domiciliar per capita aumentou nada menos que 70%. Se pensarmos que, segundo FAO (Organização das Nações Unidas para alimentação  e agricultura) o Brasil deixou novamente o Mapa da Fome. O levantamento entre 2022 e 2024 mostra menos de 2,5% da nossa população em situação de sub alimentação. Sim, ainda temos um batalhão de pessoas em situação de insegurança alimentar – mas  os números provam que avançamos – e que isso é possível.

Questão de química – 2025 foi o ano de  atritos sérios e um tarifaço sancionado pelos  Estados Unidos da América e a mercê do humor volátil e, aparentemente  hostil do presidente Donald Trump. Algo que, se levado a cabo teria sim consequências pra lá de complicadas (e difíceis de contornar) em todos os âmbitos, mas principalmente em nossos bolsos e na qualidade de vida. Eis que em um encontro  com o Presidente Lula de poucos minutos, o Presidente Trump sente uma “boa química” e, a partir de então abre um canal para o diálogo amistoso. Aos poucos, caminha bem a negociação para reverter as sanções e a Nação inteira suspirou aliviada – afinal ninguém acha graça em brigar com cachorro grande. E viva a química…

Arte e cultura  premiadas – parece bobagem, mas o cinema brasileiro marcou presença e faturou não 1 Oscar ,mas 2. Além de outros prêmios pelo mundo. Tem valor. Um país cuja a arte e seus artistas são mundialmente reconhecidos ganha força, credibilidade e passa a ser mais e melhor apreciado. Caso esteja achando exagero, antes de encerrar o ano passado, outro filme nacional, “O Agente secreto” já foi premiado no prestigiado festival de Cannes e segue uma linda carreira internacional. Ou seja: não somos apenas um gigante com lindas praias, matas e mulheres. Ganhamos voz e conteúdo mundo afora. Não tem preço.

Copa com Eleições – adoraria dizer que ainda somos o país do futebol – mas, vamos aguardar a Copa para chegar a essa conclusão. Porém podemos afirmar que ainda somos uma democracia: com eleições marcadas para 2026 e muita água pra passar debaixo da ponte. Sei que a política não tem sido um assunto agradável ultimamente, mas podemos, em um esforço  de pensamento positivo acreditar que, nesse ano do Cavalo, equilibrado e confiável, se fizermos a nossa parte e acreditarmos com fé e otimismo, surgirá uma Terceira Via para acabar com essa odiosa  e estéril polarização.




Seja gentil com 2025

As listas de desejos feitas no início de 2025 talvez ainda estejam ali, com alguns itens riscados, outros esquecidos, e alguns que, honestamente, já nem fazem mais tanto sentido. Mas a verdade é que, se você realizou pelo menos um deles, ou simplesmente sobreviveu a tudo o que este ano trouxe, você evoluiu.
Tempos intensos, ritmo acelerado, as expectativas, as comparações e a pressão por resultados fazem parecer que só vale quem “chegou lá”. Mas talvez o verdadeiro sucesso de 2025 tenha sido seguir em frente — com coragem, com cansaço, com fé ou com dúvidas, mas seguir.

Realizar  desejos não precisa ser algo grandioso – pode ter sido aquela viagem adiada há anos, uma mudança de carreira, ou simplesmente o hábito de cuidar melhor de si. Às vezes, o sonho era ter paz — e, se você encontrou um pouco dela, mesmo entre altos e baixos, isso é conquista.

As coisas não saíram como planejado? Tudo bem. Crescer também é aprender a lidar com o imprevisível, reescrever planos, abrir mão do controle. Há uma beleza silenciosa em quem atravessa o ano inteiro e chega ao fim ainda acreditando — em si, na vida, e nas novas possibilidades que vêm com o próximo ciclo.
Então, antes de encerrar 2025 com aquela sensação de “ainda não fiz o suficiente”, olhe com gentileza para o seu próprio caminho. Você realizou, sim — talvez não tudo, mas o que era possível. Você sonhou, tentou, errou, ajustou, recomeçou. E isso é (re)evolução.

Se conseguiu riscar um item da lista, celebre. Se não riscou nenhum, mas sobreviveu, aprendeu e se manteve de pé, celebre ainda mais. Porque chegar até aqui, inteiro, é um desejo que vale por todos os outros.




Natal com sabor de novidade

Sair do óbvio não significa abandonar o espírito natalino, e sim reinventar a forma de celebrá-lo. É possível manter a essência das tradições, mas com um toque de originalidade que desperta os sentidos e torna a noite ainda mais especial.

Em vez do clássico peru, que tal um assado com temperos diferentes — cordeiro com ervas frescas, um peixe bem-preparado ou uma ave com recheio leve e aromático? A farofa pode ganhar versões com frutas secas e castanhas brasileiras; o arroz, um toque cítrico ou de coco; e a salada, cores e texturas que tragam frescor. O segredo é equilibrar tradição e personalidade: respeitar o sabor afetivo das receitas antigas, mas abrir espaço para o novo.

Até os acompanhamentos podem se reinventar. O panetone, por exemplo, pode virar sobremesa em taças individuais com creme e frutas; o sorvete pode substituir o pudim, trazendo leveza ao final da refeição. E por que não explorar ingredientes locais, dando protagonismo ao que é da nossa terra? A elegância da mesa está, hoje, muito mais na autenticidade do que na ostentação.

Na etiqueta contemporânea, o anfitrião elegante é aquele que pensa na experiência de todos: oferece opções leves, acolhe restrições alimentares, planeja porções equilibradas e serve com cuidado. O bom gosto se expressa tanto no cardápio quanto no gesto — servir com gentileza, valorizar o tempo de preparo e transformar o momento em partilha.

Sair do óbvio na ceia de Natal é um gesto de criatividade e carinho. É repensar o que servimos não apenas pelo sabor, mas pelo significado. Quando o cardápio reflete afeto, equilíbrio e cuidado, a mesa se torna mais do que um cenário: vira o coração da celebração. E é aí que o Natal se torna realmente inesquecível — quando cada prato conta uma história nova, mas temperada com o mesmo amor de sempre.




Em 2026 Escolha o Prazer

E se, para 2026, a gente escolhesse uma lista diferente — uma que incluísse pelo menos dois itens escolhidos não por necessidade, nem por produtividade, mas simplesmente por prazer? Porque amadurecer é também aprender a desejar o que faz bem, mesmo que não “sirva” para nada –  além de nos fazer mais felizes.

Por muito tempo, fomos ensinados a associar evolução a desempenho. Estudar mais, ganhar mais, produzir mais. Mas o tempo — e algumas quedas pelo caminho — ensinam que crescer é aprender a viver com leveza.

Coloque na lista — e pense seriamente no próximo passo para realizar esse desejo. Pensar em investir em um curso sem propósito profissional, um hobby que te desconecta do mundo,  ou mesmo em tempo reservado só para você — é um ato de coragem. É como dizer: “Eu mereço viver momentos que não precisam ser úteis, apenas verdadeiros.”

Dar espaço ao prazer é revolucionário – não estou falando aqui do prazer do excesso, mas do que traz equilíbrio. É a pausa no meio da correria, o café tomado sem pressa, o sim para o que faz sentido… mesmo que ninguém entenda o porquê.

Se você conseguir incluir na sua lista de 2026 dois desejos que partem dessa vontade genuína —, parabéns. Porque ao se permitir sentir prazer sem culpa você fortalece autoconhecimento, adquire maturidade e, acima de tudo, liberdade.

Além de superar desafios – evoluir é também se autorizar a desfrutar. A vida não precisa ser um projeto de alta performance o tempo todo — ela pode (e deve) ter também um espaço de prazer e presença. Que merece ser cultivado , preservado e principalmente habitado com muito cuidado e frequência. Porque crescer é, finalmente, entender que a felicidade também se constrói nos intervalos.