Tóquio te espera, Jéssica!!!

Jessica Messali (foto twitter @jessparatleta)

Estava pronta para vencer mais uma vez. Só que no início de julho, ela estava em Portugal para mais uma competição antes do torneio. Mas foi fora das pistas, e dentro de uma sauna, que Jéssica viu o sonho de ganhar uma medalha olímpica se distanciar: a atleta se acidentou com queimaduras de segundo e terceiro grau nos dois pés.

Quando soube da notícia, confesso que não consegui tirar meu pensamento dela. Não somente pela dedicação e empenho para os jogos olímpicos que batem à porta, como também por ser cadeirante como ela. Senti-me frágil, desprotegida, impotente diante da constatação do quanto somos pequenos e finitos.

Jessica Mesalli (foto: Twitter @jessparatleta)

Como encarar um sonho desmoronando – na vida há situações que não combinam com explicações. Nesse momento, para afastar os pensamentos negativos, o sorriso no rosto e a manutenção da calma foram as soluções para Jéssica encarar as notícias difíceis que vieram juntas com as queimaduras. E a mais dura de ouvir e aceitar: a amputação dos dedos.

Longe da família, isolada, e sem visitas por conta da pandemia, Jéssica passou onze dias lidando com todo esse turbilhão de coisas que atravessaram de forma tão rápida seu caminho quanto seus recordes nas provas. O que tinha por garantido, parecia não ser mais atingível. Tóquio parecia ainda mais longe.

No esporte, área intensamente ligada à minha história, tenho compreensão do verdadeiro significado da palavra SUPERAÇÃO! Aliás, foi no esporte onde mais fui testada na capacidade de superar.

Jessica Messali foto Twitter @jessparatleta

Entre perdas e ganhos – correr, pedalar e nadar, o corpo pede movimento. Mas o que a mente exige quando vivenciamos tantos sentimentos é coragem. Sabemos que depois de toda luta árdua, o sabor da vitória é bem mais prolongado e que arriscar é viver plenamente. Mesmo sem termos as receitas para a resolução das situações desafiadoras que enfrentamos na vida, tudo que carregamos dentro de nós, nossas experiências, nos ajudam a transformar perdas em ganhos.

Minha admiração pela atleta, mulher, cadeirante, só aumenta. E como sempre falo para ela em suas provas, estarei na torcida. Acredito na sua recuperação. E tenho certeza de que a forma como escolheu encarar essa fase, com equilíbrio, serenidade e calma, farão a diferença para ela seguir em frente. Não temos respostas para tudo e não podemos perder tempo tentando entender por que não aconteceu como programado. Um ou dois passos para trás não significam recuar, e sim impulsionar. Portanto, Jéssica, olhe para frente. É pra lá que você está indo. O escritor Augusto Branco diz: “vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve”. Erros e acertos fazem parte desse desafio chamado vida. Honremos nossa caminhada.