Vai Encarar?

#ForçaLais!

Lais de Souza, atleta brasileira, em imagem do rosto, está de sorrindo, com uma proteção na cabeça e um óculos para neve, ao fundo um outro esquiador também sorri.
image_pdfimage_print

Lais de Souza, atleta olímpica faz um exercício na barra, usando um maiô vermelho com mangas longas pretas. Ela está apoiando as duas mãos na barra e as pernas estão abertas em posição de equilíbrio.

Minha paixão pela ginástica está tão viva hoje, quanto há décadas, quando nasceu. Não é fácil contar nesse espaço tudo que vivi como professora e técnica de ginástica artística. Assim, coerente com essa paixão, dedico esse texto a querida Laís de Souza.

Conheci a Laís no Centro de Treinamento em Curitiba, quando treinava minha equipe de atletas de alto rendimento. Víamo-nos todos os dias: sempre que meus olhos piscavam, lá estava ela, no ponto mais alto do ginásio em seu salto sobre a mesa.

É a sua característica mais forte: voar!

O que mais me chamou atenção naquela menina linda, forte e saltitante, foi seu choro na hora da flexibilidade. O técnico da seleção era Ucraniano, não poupava ninguém do seu “empurrãozinho” na hora de alongar. Laís então chorava nessas horas – mas depois, saia do treino sorridente como quem diz: missão cumprida! Capacidade de suportar dor é uma característica marcante dos grandes atletas.

Laís começou na ginástica aos quatro anos de idade e teve conquistas importantes com duas participações em jogos olímpicos: Atenas e Pequim!

Em 2013 ela começou a treinar esqui aéreo – onde conseguiu vaga para disputar os Jogos Olímpicos de Inverno. Esquiava em Salt Lake City e estava se preparando para as Olimpíadas de inverno em Sochi – Rússia.

Lais de Souza, atleta brasileira, em imagem do rosto, está de sorrindo, com uma proteção na cabeça e um óculos para neve, ao fundo uma outra esquiadora também sorri.

E ela esquiava apenas, quando se chocou com uma árvore e teve uma lesão na terceira vértebra (C3) da coluna cervical.

Há acontecimentos que nos obrigam a dar um mergulho profundo em nossa existência, às vezes nada faz sentido. É o momento da vida em que a alma é transpassada por uma dor pungente. E nesse momento experimentamos a nossa capacidade em suas muitas dimensões.

Como seguir em frente – somos pessoas realizadas com a ginástica, amamos o movimento, a atividade física, o desafio da gravidade.

Comigo, o ballet a ginástica e pessoas especiais, foram decisivos em minha reabilitação. As resistências, pelas quais passei foram tão superficiais que hoje nem me lembro delas. Claro, eu as vivi, mas não foram paralisantes pois segui em frente!

As possibilidades de promover as pessoas por meio de movimentos tão complexos quanto desafiadores vão transformar e motivar você nessa sua fase também, Laís. Ninguém faz um duplo mortal sem estar preparado!

É a hora da releitura. Seu repertório motor é riquíssimo! Lembre-se que o fundamental agora é a prática: fazer e viver! E como você bem disse: “momentos de fraqueza, eu os encaro! E aí fico mais forte”.

E como na vida há situações que não combinam com explicações, nesse momento, para afastar os pensamentos negativos, façamos um duplo giro cravado!

Obrigada pelo que fez e faz pela ginástica. Seja bem vinda de volta. Encare!

Esse verso, de Augusto Branco é pra você!

Vida…

Bom mesmo é ir à luta com determinação
Abraçar a vida com paixão,
Perder com classe
E vencer com ousadia,
Porque o mundo pertence a quem se atreve
E a vida é muito para ser insignificante.

Lais de Souza, atleta brasileira, em sua cadeira de rodas, participa do programa 'Encontro com Fátima Bernardes". Ela está no centro do estúdio e ao fundo móveis da sala de estar do programa.

 

 

mariana_reis
A Bailarina Mariana Reis, tornou-se cadeirante aos vinte anos. Tornou-se Administradora de Empresas e Educadora Física. É Pós Graduada em Gestão Estratégica com Pessoas e em Prescrição do Exercício Físico para Saúde pela Universidade Federal do Espírito Santo. É também atriz, colunista do jornal A Tribuna de Vitória, professora universitária, técnica e árbitra de ginástica artística. Atua como consultora em acessibilidade e gestora na construção e efetivação das políticas públicas para a pessoa com deficiência em Vitória. Acredita na sedução diária de superar limites e ir além do que nos impede – não as pernas, os olhos, os ouvidos – mas o cotidiano. Afinal, temos todos medo de enfrentar o mundo e suas barreiras. E todos temos obstáculos. Vamos encarar?

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR

4 Comentários

  • Responder
    Andrea Rosenthal
    21/12/2014 as 14:00

    Um texto de uma sensibilidade sem igual. Mariana, você é um exemplo de vida!! De determinação, de força e de capacidade intelectual. Te admiro muito por tudo o que você é!

  • Responder
    Marisa Amaral
    21/12/2014 as 15:27

    Amada Mariana

    Ler este texto me deixa mais (e olhe que sempre foi muito!) impressionada com sua sensibilidade e a capacidade de estar conectada às pessoas. São mesmo muitas as dimensões… Nunca houve paralisia em seu coração, em sua força, na energia para seu movimento de vida.
    Você é exemplo para a Laís, para mim, para todas as pessoas.
    Mariana, sinta-se querida pela Mariana e por nós neste momento de mudanças de paradigmas. Torcemos por você e que possa se recuperar para transcender e continuar a voar.
    Que você tenha muitos sorrisos em sua vida, como esse dessa pessoa linda que é a Mariana.
    Um abraço!
    Marisa

    • Claudia Matarazzo
      Responder
      Claudia Matarazzo
      24/12/2014 as 08:36

      Marisa, costumo dizer que a Mariana é uma fada ruiva – desse ruivo rato do pintor veneziano Ticiano. E como fada ela é capaz de inúmeras travessuras e aventuras – inclusive voar! Um beijo enorme

  • Responder
    pri
    22/12/2014 as 10:06

    Mari, texto lindo e emocionante, quem dera se as pessoas tivessem a garra e a força q vc tem! Parabéns por ser essa pessoa incrível q vc é!!!

  • Deixe um comentário