Sobre pilotos, comandantes e sorte

foto da cidade de Nova Yorque, em visão lateral, onde temos no primeiro plano a esquerda a estátua da liberdade e ao fundo a belíssima cidade , num dia belíssimo céu azul.

Se da primeira vez fora um baita susto, agora o clima era de puro pânico. Era o dia 20 de março, quando o avião da Germanwings ainda não caíra devido ao gesto suicida de Andreas Lubitz.

Ainda assim, detesto voar embora faça isso com mais frequência do gostaria. E entre preces angustiadas comentei com meu vizinho de poltrona que o piloto era ou muito craque ou um incompetente.

Mas, em questão de segundos o comandante do vôo JJ-3320 da TAM ,anunciava com voz tranquila que não quisera pousar na pista ainda muito molhada do aeroporto de São Luis do Maranhão. E que estávamos rumando para Fortaleza para esperar em terra melhores condições.

Chovia muito e a passageira junto a janela, achando que ninguém olhava, ligara o celular e trocava torpedos com alguém.

Mas é claro que, apavorada e, caxias que sou, depois de avisá-la, vendo que não desligava, avisei o comissário.

Que não precisando desse estresse extra passou-lhe um pito delicado e firme. Uma hora depois, nervosa e lendo para me acalmar, pousamos em Fortaleza.

A espera seria no próprio avião e, por aflição e vício de profissão, observava atentamente o comportamento da tripulação.

Ao abrir a cabine do piloto eis que a voz adquire forma: jovem e bonito – não mais de 45 anos – com gestos tranquilos ele tomava água diretamente da garrafa como se a vida dependesse disso.

Pensei no seu provável desgaste e na rapidez de decisão e reflexos necessária para duas arremetidas já quase a tocar a pista.

Se nós estávamos com os nervos em frangalhos, aquela sede sôfrega era o mínimo – considerando que ele ainda teria que nos levar a salvo para São Luis.

O que acabou acontecendo – com 5 horas de atraso, ao cabo das quais eu me tornara amiga do tripulante que dera o pito na fofa rebelde do celular.

Conversando ele comentou que era muito comum em situações de turbulência os passageiros entrarem em pânico e tentarem contato com alguém em terra.

Fogo Amigo – mas o que me deixou mais perplexa foi uma das resoluções de segurança da ANAC : se por um lado tesourinhas de unhas são confiscadas, por outro estão liberados os isqueiros. Como assim cara pálida?! Pois é assim.

Com leis como essa, precisamos, além de um piloto que seja um bom comandante como do JJ-3320, também de muita sorte – para que os isqueiros que entram a bordo estejam sempre em bolsos de homens de bem.