BRUSCHETTA FÁCIL DE CEBOLA ROXA

Feriado prolongado chegando e isso pede uma receita fácil e rápida para degustar em casa mesmo, preguiçosamente instalados em nosso próprio conforto. Compartilho essa, uma das mais gostosas que experimentei em umas das  minhas viagem a Itália.

Pão é um dos alimentos mais completos e gratificantes – dá conforto e energia, além de ser barato e facilmente reciclável: no dia seguinte bastam alguns minutos no forninho para devolver a crocância e perfume – dignos dos melhores couverts de restaurantes, como o Alfredo de Roma.

Já a cebola roxa e o tomate – são ultra saborosos e naturalmente complementares, certo?

Não é à toa que em festas populares – como as de San Gennaro ou da Achiropita – o forte são todo tipo de salgados que nunca dispensam esses ingredientes!

E taí a receita – fácil e flash – de uma bruschetta deliciosa para saborear de aperitivo ou mesmo como entrada  – para abrir qualquer refeição informal.

RECEITA FÁCIL DE BRUSCHETTA DE CEBOLA

Fatie uma cebola – roxa ou não – e coloque sobre uma rodela de pão italiano previamente pincelada com uma pasta de tomate amassado, com um pouquinho de alho, sal e azeite.

Uma folha de manjericão e pronto! Você terá todos de joelhos, enquanto saboreiam sua receita.

 




Como vamos emergir desse período?

Há quem diga que quem era bom vai ficar melhor e quem era do mal não conserta, só piora. Mas, vamos falar das habilidades sociais e do lazer que, aos poucos está retornando mais livre – para felicidade dos que gostam de espaços públicos – sejam eles praias e parques ou shoppings.

O que me inspirou esse assunto foi uma cena que testemunhei em uma praça de alimentação em minha primeira saída “puramente a lazer.”

O casal se levantou e largou bandeja, copos e muita sujeira sobre a mesa. O homem, olhando para trás, percebeu e voltou para recolher. A mulher, em vez de ajudar, o repreendeu em voz esganiçada “Anda fulano, não está vendo que tem funcionária para fazer isso?”

Horrorizei. Ora, as praças de alimentação, tem mesmo funcionários para recolher e repor o material. Mas é (ou deveria ser) para recolher as bandejas – e apenas isso – devidamente ordenadas em totens próprios para tal.

Ao deixar a mesa emporcalhada (não há outro termo), os clientes mal-educados estão prejudicando o fluxo e o timing pois, até que a mesa esteja limpa ninguém se senta.

E os tais funcionários são em número reduzido e calculado para ir e vir levando e trazendo bandejas limpas. Não para trazer panos e limpar porcarias grudentas de gente que sequer tem o cuidado de esvaziar pratos e xícaras no local apropriado.

Sim, agora todos tem álcool em gel e álcool 70 para higienizar, sim, eles são superatentos, mas não estão lá “para fazer isso” como disse a gralha.

Estivesse ela na Europa – o tal primeiro mundo para o qual tanto babamos ovo – pode ter certeza de que levaria um pito do dono do lugar. Ou do gerente. Que prontamente pediria que ela organizasse o lugar. Exagero? Nada disso. Lá os poucos funcionários disponíveis são pagos a peso de ouro – e quem atende as mesas se não for o dono é um parente ou funcionário super qualificado que não está “aí para fazer isso.”

Quem trata espaços públicos como um grande lixão certamente deve morar mal e tratar seu próprio quarto da mesma maneira. Assim como a família e, provavelmente desrespeita o sagrado momento de compartilhar a comida a mesa.

Sagrado sim: em meio a tanta incerteza nada mais sagrado do que ter comida e casa para compartilhar. E cuidar tanto de um quanto de outro é o começo para entender que não é normal comer pão diretamente sobre a mesa e largar as migalhas lá para alguém “limpar isso.”

Elite mal-educada, insensível e míope é escória com dinheiro. E não vale nada. Como vamos emergir desse período é uma escolha possível – e importantíssima para o futuro dos nossos filhos, mas, também para o nosso, não acham?




Com quantas letras se desfaz um preconceito?

 

Alguns teóricos da educação irão dizer: aprender tem a ver com afetos. Pois bem, chegamos aonde eu queria.

Precisamos dar mais espaço para os afetos, para o potencial humano de entender sobre a diversidade. Máquinas usam sistemas binários. Você e eu podemos muito mais que isso.

Podemos tanto que a sigla para abranger pessoas que não cabem em duas definições apenas – homem e mulher – é composta por letras que representam o quanto existe de belo e diverso em nossa espécie. Por isso, convido você, neste mês que está apenas começando, para ler as entrelinhas da sigla LGBTQIA+. Simples assim. Sete letras, facilmente pronunciáveis e um sinal positivo, que significa adição. E se você se esforçar um pouco, vai lembrar que as equações matemáticas eram bem mais complexas.

Que venham os dias de glória – ao ver uma apresentadora de TV se atrapalhando e repetindo letras aleatórias para se referir ao público que é representado pela sigla, não pude deixar de enxergar ali uma verdadeira falta de informação que reforça a perpetuação do preconceito e discriminação. Todos nós, incluindo lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexuais, assexuais e demais identidades de gênero merecemos respeito. Respeito pela orientação sexual e identidades de gênero.

Ainda que o mês seja para reforçar o combate a homofobia e transfobia, não é raro vemos falas revestidas por puro ódio e repulsa. Nossa luta diária é para nos esquivar dos golpes de julgamentos nefastos que insistem em nos atingir. Menos batalhas e mais glórias, por favor!

Participants celebrate the 42nd anniversary of the Sydney Gay and Lesbian Mardi Gras Parade in Sydney, Australia, February 29, 2020. REUTERS/Loren Elliott

Garantia de direitos, respeito às diferenças – nas últimas eleições, a  vereadora Erika Hilton, primeira mulher negra e trans, mais votada para a Câmara Municipal de São Paulo. Ao mesmo tempo algumas mulheres trans que também foram eleitas, sofrem com perseguições e ameaças de morte. Isso nos mostra o quanto as necessidades desse público, que são tão específicas, exigem preparo para superar tantos desafios.

Neste mês, que ressalta a lembrança da garantia de direitos e respeito às diferenças, tenhamos ânimo para não desistir.  Por mais que tenhamos vontade de não ver e nem ouvir as notícias trágicas do nosso Brasil, precisamos estar atentos e fortes, para não perdemos a chance de lutar por uma sociedade que reconheça inalienavelmente a dignidade das pessoas.

O preconceito mata e mata a nossa capacidade de amar o extremo ódio e intolerância que presenciamos todos os dias contra a comunidade LGBTQIA+ demonstra o quanto as pessoas se acham juízes do mundo, sem humanidade, e equivocados a respeito da diversidade. Num Brasil como o que estamos vivendo hoje, desconhecemos o valor das necessidades do outro, e realçamos o desrespeito na sua intensidade.

A violência contra essa população produz desordens psicológicas e fisiológicas que interferem no bem-estar, e muito repercutem negativamente na interação social e na sua vida diária. Por isso, a produção de políticas públicas, sociais e de saúde, sobre o combate a tais problemas e garantia dos direitos humanos se fazem necessárias para enfrentarmos os golpes contra a moral.

Intolerância apenas com a discriminação – basta – graças à organização social das pessoas LGBTQIA+, o Brasil não deverá fechar os olhos para questões que envolvem a afetividade e o amor entre as pessoas, mas ainda há um caminho longo a ser percorrido para se distanciar da intolerância. E, as conquistas das últimas décadas fazem com que as pessoas LGBTQIA+ se constituam cada vez mais como sujeitos de direito.

Espero que possamos ampliar a visão, a mente, para essa e outras situações que revelam ser imprescindíveis novos esforços, de todos os lados, para que o conceito de “todos iguais perante a lei” se multiplique e se fortaleça diante da ignorância e das trágicas atitudes de preconceitos, da falta de informação, de profissionalismo e principalmente, falta de dignidade.

 

 




Mandar o currículo não basta …

Como está tudo muito difícil, não custa dar uma mãozinha ao destino e a pessoas que está selecionando candidatos. E, nesse momento, além da sua formação e vontade, conta também a maneira como você escolhe e apresenta as palavras e fatos!


Conteúdo sim, mas aparência também importa – afinal, esse é o cartão de apresentação do profissional. Quem lida o dia todo com pilhas de fichas de candidatos pode eliminar vários só ao bater o olho…
Bem na foto – escolha uma foto corporativa, nada de imagens tomando sol, com roupa de balada, de óculos escuros, ou gargalhando.
Passado recente: não interessa mencionar um curso de datilografia feito aos 12 anos; reúna dados que façam sentido nas  atuais circunstâncias (que mudaram demais nos ultimo ano, concorda)?

Businesswomen are meeting and human resources interviewing in the company office

Objetividade – mande apenas as informações mais importantes e adequadas ao cargo pretendido. de forma acessível e direta. Escola onde estudou, histórico escolar e cursos que não condizem com a vaga, são dispensáveis. Sim, dispensáveis exceto no caso de escolas muito especiais ou em outro país que definam o seu perfil por algum motivo…

Em tempo: estamos falando de escola e não de ensino superior que, esse sim deve ser especificado adequadamente

Dica – o que até recentemente era considerado simpático, como inserir dados pessoais, hobbies, estado civil, time e frases de efeito, hoje, não funciona e é perda de tempo.

Informe o que interessa – analistas de RH alertam que currículos muito sucintos também podem ser negativos pois muitas vezes, as informações necessárias acabam omitidas. Assim, sugerem citar as cinco principais responsabilidades exercidas em cada emprego mencionado.

Sem mentira – e sem enfeitar. O examinador pode descobrir facilmente quando o interessado não está sendo honesto quanto às experiências e antecedentes – e isso acaba queimando a imagem da pessoa. Muitas vezes o candidato mente sobre antigos empregos esquecendo que o entrevistador pode facilmente conferir as informações…

Revise, revise, revise! – erros de português demonstram que a pessoa não revisou direito, o que, no mínimo passa a imagem de falta de compromisso, desorganização e/ou ansiedade; ou pior: que ela não domina mesmo a língua, o que pode até eliminar o candidato logo no início.

Foco, foco, foco – não mande seu CV de forma aleatória para pessoas que não estão relacionadas diretamente à vaga. Não funciona. Simples assim. Uma boa estratégia, segundo especialistas é enviar o material ao RH da empresa, explicando  seu interesse e pergunte quais os melhores canais para entrar em contato com os responsáveis pela seleção. Mostra dedicação e perseverança de maneira organizada.

Templates coloridos – documentos enfeitados demais parecem trabalho de colégio. A ideia é mostrar profissionalismo: use um modelo limpo, de fácil leitura em preto.

Finalmente, se não obtiver nenhuma resposta depois de algumas semanas, pode sim entrar em contato para saber se receberam ou se a vaga foi preenchida. Perguntar não ofende – e mostra interesse.

 




Como o nosso Picadinho conquistou a realeza

Copacabana-Palace-Rio-de-Janeiro_claudiamatarazzo

Foi no Rio de Janeiro dos anos dourados que ele passou das mesas mais modestas para os grandes salões,

 O Picadinho Carioca não é um picadinho qualquer. A carne deve ser cortada na faca, dourada em óleo, temperada a gosto e servida acompanhada de arroz, ovo poché, batata noisette (redondinha e dourada na manteiga), couve refogada, ervilha, farofa, às vezes caldo de feijão e banana frita ou à milanesa.

Na década de 50 que passou a se chamar Picadinho Meia-Noite, incorporado ao cardápio da elegante boate com o mesmo nome do sofisticado Copacabana Palace.

picadinho-boemio-rio-claudiamatarazzo

Ali, deixou de ser comida de pobre, e que deu esse upgrade a receita foi Paul Ruffin, chef executivo do Copa, que ditava a moda culinária na cidade.

Por sua inspiração, e do Barão Max Stuckart, o exigente gerente do Copa, o Meia Noite foi o berço desse um prato que acabou por sacudir a cozinha nacional.

barão Max Von Stuckart3 - claudiamatarazzo

Da maneira como Stuckart o concebeu, a carne era sempre de primeira: pontas de filé-mignon picadas- temperada com cebolinha, louro , sálvia, segurelha, alecrim e manjericão , além dos convencionais sal, pimenta, tomates machucados e manteiga

O resultado era servido numa rústica travessa de barro, com arroz, agrião picado, farinha de mesa e um ovo poché por cima.

A exemplo da sopa de cebola, em Paris, o picadinho revelou-se ideal para salvar vidas em horas mortas e recuperar disposições abaladas por uísques além da conta – mais ainda depois que, adotado até mesmo abstêmios e pelos que dormiam cedo, se generalizou pela noite do Rio.

Foi o primeiro prato assumidamente brasileiro a dividir os pernósticos cardápios finos cariocas – que então brilhavam nas mesas como “Jambon d’York Braisés au Madere “ e “Délices de Robalo à la Bonne Femme”.

jambon-braise-au-cidre-de-normandie_claudiamatarazzo

Em pouco tempo tornou-se o prato preferido de políticos, empresários, diplomatas, artistas e intelectuais nacionais e e estrelas de Hollywood em visita à cidade.

Seus os adeptos mais fiéis foram os playboys, a começar por Jorginho Guinle – sobrinho de Octávio Guinle, fundador do Copa em 1923 – e seus inseparáveis amigos Baby Pignatari, Carlos Niemeyer, Ibrahim Sued, Mariozinho de Oliveira e Sérgio Peterzone.

Copa-Rio_kim-novak-e-jorge_guinle_claudiamatarazzo

Jorginho Guinle e Kim Novak

Mas, entre seus fãs, estava, imaginem só, o Presidente Getúlio Vargas – que chegava a sair do Palácio do Catete para saborear a iguaria.

O jornalista e escritor Ruy Castro, conta esses e outros detalhes da vida noturna do Rio no ótimo livro ‘A Noite do Meu Bem’ (Companhia das Letras São Paulo, SP, 2015)

Amanhã, vamos dar a receita caprichada desse prato, ideal para recuperar as forças em uma quarta feira de cinzas,  tal e qual vi na Revista Gosto  – que , como sabemos, prima pela exatidão de suas deliciosas dicas!