Palavras tem poder – inclusive de prejudicar quem profere

Tem pessoas que conseguem saber que tipo de profissional você é pelo simples fator de ouvir (e interpretar) o que você diz  em determinada situação, quer ver?

Me desculpa! – essas duas palavrinhas juntas são importantes, mas muito emocionais para se dizer o tempo todo no ambiente profissional. É preciso guarda-las, e saber  saber como usar  para não se tornar o(a) “dramático (a)” do lugar. Uma alternativa é usar: “Nossa, me enganei, isso não vai  acontecer de novo!”

Entendeu o que eu disse? – essa eu não suporto. Pois se fez essa pergunta depois de ter explicado o que queria, ela não está certa de sua explicação. A melhor forma de e saber se a pessoa compreendeu o que disse é saber se ela tem alguma pergunta.

Estou de ressaca! – NUNCA use essa frase. Ninguém gosta de ouvir reclamações sobre uma ressaca ou sobre acontecimentos que não envolveram as pessoas do trabalho. Sem mais!!!

Acho que… – quando está se apresentando um projeto ou algo do tipo, sim, é comum nos sentirmos inseguros e com um certo medo, só que ninguém precisa saber. Precisamos pelo menos parecer confiantes e seguros (nem que seja só por fora). Então esqueça o verbo “achar”. O verbo “considerar” fica bem mais bonito e tranquilizador para quem ouve.

Não me pagam para isso – responder assim não agrada a colegas nem chefes, ao contrário: da próxima vez, ninguém vai lhe pedir nada, nem em assuntos ligados ao trabalho. Até mesmo para justificar o fato de  não ajudar um colega deve ser bem embasado. E no mínimo, delicado e educado…  “Agora estou ocupado com esse projeto. Quando tiver tempo livre, eu te ajudo ” não fica melhor?

É claro que nem todas as palavras são interpretadas da mesma forma por pessoas diferentes. Mas é sempre ideal evitar eventuais situações desagradáveis, não acha?

 




Em momento de Pandemia, as dicas do país mais feliz do Mundo

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Hygge,  é um conceito dinamarquês sem tradução – seria um mix  de bem-estar, conforto e relaxamento com liberdade. De modo que, seja quem for o vencedor  (e nosso grau de satisfação nunca é demais) conhecer formas de conseguir melhorar nosso dia a dia – com mínimos gestos e atitudes. Você não precisa adotar tudo, mas abaixo estão pequenos conselhos dados pelos dinamarqueses que garantem que adianta…

O segredo é a interação, pois tem a ver com compartilhar momentos de diversão e pequenas coisas que nos fazem felizes. Estas são as dicas em 10 passos para essa felicidade:

1- Procurar o momento

Consiste em dedicar um tempo diário para fazer o que nos faz sentir bem, com as pessoas que amamos e com nós mesmos.

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2- Abrir a casa

O hygge pode acontecer em qualquer lugar: churrasco ao ar livre no verão, um passeio pelo parque, um aperitivo, um jantar num restaurante pode ser hyggelig. E, claro, vale também abrir as portas da sua casa. Quando acabar  o distanciamento ou pelo menos flexibilizar mais, dá para pensar nisso com carinho e segurança!

3- Criar um ambiente propício

A iluminação tem que ser acolhedora (com ou sem velas). Boa música de fundo é uma boa pedida e flores frescas e uma toalha bem colocada, ajudam a dar um toque especial e provocar um prazer simples.

4- Evite romper o relaxamento

Nada de falar de política ou temas tensos. É contra indicado pensar em trabalho ou problemas. A televisão, o iPad e o smartphone também impedem as conexões sociais com o hygge.

5 – Concentre-se num só assunto com todos

Depende do tamanho da casa, mas consegue-se maior interação em lugares pequenos – assim é mais fácil manter uma única conversa em vez de várias conversas paralelas.

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6- Mais atenção para o que se come 

Cozinhar em conjunto também é hygge. Reunir-se com a família e os amigos para preparar uma receita tradicional ou fazer um bolo.

7 – Resgate sua identidade 

Alguns dizem que o hygge tem a ver com fazer coisas que os antepassados reconheceriam. E está relacionado com as tradições ou objetos de valor sentimental. Tomar chá numa caneca da avó ou usar a receita de bolo da bisavó – Escolha a sua lembrança afetiva e resgate.

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8 – Fique confortável

Vale tudo o que te deixa assim: roupa cômoda, ficar na cama ao domingo debaixo do edredom por mais tempo, com um bom livro e um café. Esticar-se no sofá com uma bebida gelada e ver um filme – escolha seu conforto preferido e vá fundo!

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9 – Conjugue o verbo e passe a ação

Na Dinamarca é substantivo, adjetivo, advérbio e verbo. Serve para descrever a camisa confortável que se veste ou para dizer a alguém  “vamos ver um filme e comer doces” Use com frequência para partilhar com os amigos quanto é bom estar com eles – e expresse sua felicidade com  seu momento hyggelig.

10 – Seja consciente desse momento

Há tantas coisas ser hygge para nós – ainda mais com as belezas naturais do nosso país – mas o que diferencia os dinamarqueses é que eles são capazes de identificam e nomeiam esse momento de bem-estar. Eles aprenderam a “viver o momento e desfrutar o agora“.

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Ok, concordo que não somos dinamarqueses, mas tenho certeza que com o nosso jeito brasileiro de ser, em pouco tempo teremos uma palavra mais fácil para esse termo – e estaremos dando aulas de hyggelig – ou do que quer que seja o termo batizado por aqui….




Belezas Ocultas – como fazer para encontrar

Silhueta de uma mulher adulta e curvilínea agachada no escuro com apenas uma fresta de luz delineando a lateral das nádegas, coxas, ombro o braços. A impressão é de leveza e mistério uma vez que não se enxerga o rosto e apenas partes do corpo bem feito desenhado pela luz.

Pelo menos não de cara. Feios, desajeitados e os fora de padrão tem que esperar na fila e conformar-se em ser a segunda ou terceira opção de uma maioria de gente que está muito mais preocupada com massa muscular, massa magra, barrigas “tanquinho” e outros pérolas que se ouve para definir os gostosos e gostosas da vez.

Nada contra gente gostosa. Mas me espanta a miopia que faz com que se fale muito em diversidade mas, na prática, impede que as pessoas enxerguem as belezas ocultas de pessoas que, mesmo sem corresponder a esse padrão luminoso (porém medíocre), podem ser muito, mas muuuuuito mais interessantes e ricas para se conviver e amar.

Praticando a diversidade – La vita é bella perché é varia adoro esse ditado italiano que prega as belezas da não mesmice!

Verdade que minha mãe e amigas, na juventude, às vezes não entendiam o que eu via naquele namorado feioso mas genial ou no outro que era praticamente mudo de timidez mas a quem nada escapava – e que me enchia de carinho e atenções.

Sexo na veia – Hoje, vejo filha, amigas e filhas de amigas falando muito abertamente em sexo: falam de pegada, tanquinhos e das mais variadas maneiras de como alcançar a perfeição da forma para atrair um parceiro.

Falam, falam, pegam e voltam a falar para reclamar, botar defeito, tentar trocar e começar a caça – tudo de novo!

Eu, hein?

Paciência é tudo – acredite. Um dos grandes empecilhos para que as pessoas percebam o sutil encanto do não belo é a total falta de paciência que permeia essa geração.

Basta um Clic – hoje tudo é acessível a um simples clic do mouse. Você compra, namora, confere resultados de exames, pequisa destinos, produtos e até pessoas – tudo com um clique pela internet.

Aí vem dá uma preguiça louca de apurar os sentidos para perceber além das imagens luminosas e coloridas. Quando digo sentir, falo das sensações proporcionadas por conhecimento, confiança, intimidade… Hoje cada vez mais raros de se encontrar em um mundo onde tudo é tão escancarado e exposto.

Excesso de exposição fragiliza – cada vez menos as pessoas tem noção do conceito de privacidade. Que te permite errar em particular. Fazer novas tentativas sem anunciar ao mundo que eventualmente tenha se enganado e, principalmente sofrer e se recuperar dando-se o devido tempo para isso.

Ninguém hoje admite que erra, que está mais velho ou mais gordo – já reparou? Todos querem sempre afirmar que estão ótimos, que já superaram aquela dor de cotovelo e (horror dos horrores) que já estão com um “novo namoradinho” (ou namoradinha)…

A alma se apequenou – na mesma proporção em que as pessoas não querem mais perder tempo com nada – pode conferir. Uma pena pois, sentir muita tristeza permite que depois se aproveite melhor os pequenos momentos de alegria e paz.

A medida que aprendo a apreciar pessoas diferentes das apenas perfeitas permito-me um leque muito maior de amizades, amores – e experiências infinitamente mais ricas e gratificantes.

Vejo as jovens descabelando-se na fila de uma bolsa da moda e tenho a certeza de que, em vez de tanta loja, grifes e academia, mais produtivo seria aprender a arte da contemplação. Escutar. Olhar. Enxergar e descobrir. E aprender a desfrutar as belezas ocultas.

Foto de dunas de areias brancas no deserto de onde se ergue uma formação rochosa como uma grande gruta sobre a areia. Por uma abertura das paredes da gruta entra uma luz azul e forte iluminando a paisagem. Aos pés da gruta, uma figura minúscula de um beduíno com a capa esvoaçante dá idéia da grandeza da natureza.




Pulos do gato na cozinha – vale a pena usar!

Em uma travessa redonda está um risotto com uma camada de camarões por cima salpicada com salsinha

 

Aprendi isso na casa de Marli – uma chef de mão cheia que faz tudo sem alarde. Ela e Lúcia, fiel escudeira, usam – além de bons ingredientes, paciência e carinho – pequenos truques que podem até parecer óbvios mas que, no dia a dia, muita gente descuida e acaba não usando.

Pois acredite: há alguns cuidados que são verdadeiros pulos do gato na cozinha – e que fazem toda a diferença do mundo.

Camarão crocante – já deve ter acontecido com você: depois de refogar ou fritar o camarão temperado com o maior amor, ele ficou borrachudo! Além da frustração, um constrangimento só, não é mesmo?

Minha amiga Marli contou um dos seus muitos segredos: ela não salga o camarão antes de fritar – pois cria água – e o efeito borracha.

Assim, ela aconselha fritar antes em óleo bem quente para selar – e só então salgar. Simples né?

 

Sobre um engradado de madeira uma garrafa de vidro transparente com azeite de oliva e algumas ervas e pimenta. Ao lado da garrafa, algumas ervas , uma cabeça de alho e 3 pimentas dedo-de-moçaAlho no ponto – outro vilão de alguns temperos pode ser o alho: em vez de acrescentar gosto e picância, ele pode amargar.

Para que isso não aconteça é preciso ficar esperto e não deixa nem dourar pois, ao contrário da cebola, que dourada produz mais sabor, o alho amarga em questão de segundos…

Outra coisa que reparei vendo Marli cozinhar: ela não tem medo do alho. Pica-o em pedaços pequenos e firmes sem tentar diminuir demais espremendo – e tirando-lhe o melhor do paladar. E aplica-o generosamente na hora de temperar o que quer que seja.

Cada refeição era um verdadeiro deleite. Mas entendi que era muito mais por esses pequenos cuidados – e muito amor no que fazia – do que pela elaboração complicada de pratos e receitas inventivas.

Salvar

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Danem-se artistas e músicos! (ou apenas mais uma boiada)

Victor Herbert foi um compositor, (1859 a 1924) que compunha, entre outras coisas, valsas românticas e muito populares no pós primeira grande guerra.

Morava em Nova York e, um dia, almoçando no Shanley’s, um restaurante bacana e “da moda”, ouviu suas composições serem tocadas para deleite de todos os clientes ali – inclusive ele.

Pagou a conta, procurou o gerente e perguntou se a música estava embutida no valor cobrado pelo lugar – e se atraía muita gente.

Ao ouvir que sim, saiu direto para o escritório de um advogado onde começou um processo contra o Shanley’s que duraria 4 anos.

Não apenas ganhou a causa, como, graças a essa sua atitude firmou-se uma jurisprudência que levou os EUA (e mais tarde o resto do mundo) a criar uma sociedade obrigando o pagamento de direitos autorais pelo uso da música em restaurantes, hotéis e similares.

Mais uma boiada – essa atribuição no Brasil historicamente cabe ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação) e, graças a isso, nesse momento de Pandemia e quando 99% dos 383 mil músicos filiados ao ECAD estão parados, impossibilitados de trabalhar ao vivo, eles continuam arrecadando Brasil

Hotéis quebrados – essas pessoas alegam que os estabelecimentos estão quebrados com a pandemia. Acredito. O que não dá pra acreditar é que os R$0,35 a R$0,60 que recebe um músico por sua música tocada fora do palco, possa salvar um 5 estrelas de fechar as portas. Afinal, são 2 milhões de leitos em todo o país, basta fazer a conta por baixo…

Ora, um artista de alguns sucessos gravados recebe algo em torno de R$500,00 por mês, já um artista de sucesso mediano algo como R$ 200,00 – para eles uma ajuda preciosa.

Já para os hotéis, sem fazer conta no bolso de ninguém – já fazendo – se não forem capazes de enxugar esse valor de algum outro item supérfluo de sua administração /rotina, merecem fechar as portas mesmo.

Por que não desligam o som? Mais fácil do que essa batalha toda, certo? Mas, aí está a perversidade cínica desse lobby: porque sem música, a hospitalidade e o prazer se acabam – de nada adiantaria luxo, boa comida etc em meio a um lúgubre silêncio.

Nada tenho contra a rede e pessoal dos hotéis (apenas contra raciocínios canalhas) mas, entre eles e a música – e seus criadores – fico com essa última: alimento da alma, linguagem universal, atemporal e eterna e que, para existir, sempre dependeu de seres especiais, divinos e desapegados.

Mas que, para compor e nos deleitar com ela, ainda precisam pagar as contas.