Como fazer um bom drinque – e dar um show em sua própria casa

Para aprender a fazer bons drinques é preciso antes conhecer os ingredientes e suas combinações – assim como na química que podem resultar.

Segundo Derivam Ferreira de Souza, várias vezes campeão internacional de coquetelaria, os drinques podem ser:

estimulantes de apetite – aperitivos para antes da refeição;

digestivos – para serem degustados depois;

– nutritivos – os ricos em calorias;

refrescantes – com muito gelo, bebidas gaseificadas ou sucos;

estimulantes físicos – que aquecem o corpo e levam água – quente, destilados e condimentos.

Outros ingredientes – além das bebidas, outros elementos são essenciais para a boa coquetelaria. Procure manter-se sempre bem fornecido de:

  • sal;
  • pimenta do reino;
  • canela em pó;
  • azeitonas verdes;
  • cebolinha em conserva;
  • cerejas em calda ou ao marrasquino;
  • hortelã fresca;
  • molho inglês;
  • molho de pimenta vermelha;
  • frutas (abacaxi, laranja, maçã, limão);
  • noz moscada;
  • sucos ( laranja, limão, tomate, maracujá, caju);
  • salgadinhos para acompanhar.

Ok, até aqui falei muito dos elementos necessários e menos de como preparar e servir as bebidas. Mas, com o perdão do trocadilho, este foi só o aperitivo. Veja em um próximo post, as receitas dos drinques mais consumidos.

 

 

 

 




Homens de Preto – além do Comendador da Globo

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A tentação é grande, afinal, parece tão mais simples ter uma cor só no guarda roupas e não ter de quebrar a cabeça… Por isso, quando a moda começou apresentar looks em preto para os homens, eles acharam uma grande a solução! Mas calma. Nem tudo é exatamente como parece.

  • Terno preto não é pretinho – embora muita gente ache que é o equivalente ao pretinho curinga das mulheres, não é bem assim. Um terno preto é formal e requer sobriedade e não aceita muitas variações – ao contrário do nosso pretinho que vai do formal ao esportivo vanguarda.
  • O preto pode ser moderníssimo – ok, o estilista Karl Lagerfeld, da Maison Chanel, sabe usar um modelão preto e ousado como ninguém. Mas ele é fashion. Na vida real é muito mais difícil ser um macho elegante só de preto sem pesar a mão…
  • Você não é personagem – por conta de filmes em que gângster e mafiosos abusaram dos modelos grafite e pretos com risca de giz, há uma convenção de que homens de terno preto (ou com tudo preto) são mais poderosos – e perigosos. Pode até ser. Mas será uma ideia tão boa assim refletir esse tipo de imagem o tempo todo? Melhor deixar para quando precisar ou quiser impactar…
  • Combina com tudo em qualquer horário – não combina, não. Há uma convenção – falando de elegância em um padrão internacionalmente aceito – de que ternos escuros (e o preto em especial) são usados mais à noite e/ou em dias mais frios. Sem falar que é um visual pesado (e quente) para nosso país tropical – simples assim.

Finalmente, tudo preto pode passar uma imagem de excesso de seriedade sisuda – e não apenas confiável. Precisa mesmo?

Ok. Você não se convenceu e ainda acha que ao aderir aos ternos pretos, vai ficar parecido como o Alexandre Nero, em Império – com mais chances de chamar a atenção de uma ruiva tão linda ou mais do que a Mariana Ruy Barbosa, seu par romântico na novela.

Vá em frente e mergulhe no negro. Mas não reclame se, no meio de sua performance social, alguém o confundir com o segurança.

 

 




Gafes da Claudia

Relato aqui duas das minhas preferidas, com o finado e elegante Governador Claudio Lembo, em cuja gestão fui nomeada a convite de José Serra, que o sucedeu.

Rainha Elizabeth II – Visita a Campinas, São Paulo 1968 (foto: mre-gov.br)

O quarto da Rainha – em minha primeira visita ao Palácio, Claudio Lembo, gentilmente, fez questão de mostrar todas as dependências  do Bandeirantes.

Na ala Residencial, estávamos no dormitório em que pernoitou, na década de 60, a Rainha Elizabeth II do Reino Unido, até hoje chamado de “quarto da rainha”. Que poderia ser chamado “quarto do monge”, tal a frugalidade mobiliária.

Quando me falou que sua majestade havia ficado hospedada lá disparei:

“Credo Governador, a Rainha ficou aqui?! Mas parece um Ibis!” falei, referindo- me a cadeia de hotéis famosa pela sua simplicidade funcional.

Perplexo com a comparação ele perguntou espantado e divertido: “É muito grave?”

Acabamos rindo juntos, concordando que hoje, os quartos modernos dos Ibis saem ganhando disparado do quarto da Rainha.

Posse do Governador José Serra 2007 – Assembleia Legislativa (foto: Arquivo do Governo do Estado de São Paulo)

A 1ª Posse- Sorte de Principiante – minha primeira missão importante no Palácio dos Bandeirantes foi organizar a posse do Governador – que ocorre no dia 1 de janeiro.

Para os que organizam é um mico sem fim por um motivo técnico seríssimo: na véspera, há comemorações de grande porte por toda a cidade, estado e país – por conta do Réveillon e todo o tipo de serviço (montagem, som, iluminação, bufê, garçons, recepcionistas – tudo!) fica comprometido.

Durante a Posse tudo é importante: o discurso do Governador eleito, sua aparência, quem ele cumprimenta, encontra e/ou conversa. Quem está presente (e de quem notou-se a ausência) …

Sabendo da delicadeza da missão, pus-me a trabalhar focada no envio de convites, preparação etc. Estávamos no dia 26 de dezembro quando recebo um telefonema do Governador Lembo: “Você esqueceu de mandar um convite”

“Pode dizer Governador, quem faltou?”. Adrenalina a mil, pois diariamente recebíamos nomes de pessoas que não poderiam ser esquecidas. Levei um choque quando ouvi: “Eu. Até hoje não recebi nada”

Gafe! Aflitíssima consultei Dalva há 28 anos à frente do mailing do Cerimonial. Que respondeu calmíssima.

“Não cabe o Governador receber convite, ele está convidando para a festa do Governador eleito Serra, o evento é em sua Casa aqui no Palácio, não teria porquê receber…”

Consciente de que havia sido vítima de uma pegadinha, subi ao gabinete para apresentar o convite ao Governador .

Ele, por sua vez  examinou tudo longamente, elogiou papel, formato e cada detalhe do texto, sempre com um olhar meio travesso. “Gostei” – disse finalmente –  “pode mandar.”

Saí da sala atarantada: mandar para ele? Os demais haviam sido expedidos há semanas… Só no meio da noite – insone – entendi a mensagem. Lembo, a sua maneira elegante, me fez entender com toda sutileza que, com a correria, eu havia ignorado uma regra de cortesia básica: mostrar o convite ao dono da festa para sua aprovação…




BRUSCHETTA FÁCIL DE CEBOLA ROXA

Feriado prolongado chegando e isso pede uma receita fácil e rápida para degustar em casa mesmo, preguiçosamente instalados em nosso próprio conforto. Compartilho essa, uma das mais gostosas que experimentei em umas das  minhas viagem a Itália.

Pão é um dos alimentos mais completos e gratificantes – dá conforto e energia, além de ser barato e facilmente reciclável: no dia seguinte bastam alguns minutos no forninho para devolver a crocância e perfume – dignos dos melhores couverts de restaurantes, como o Alfredo de Roma.

Já a cebola roxa e o tomate – são ultra saborosos e naturalmente complementares, certo?

Não é à toa que em festas populares – como as de San Gennaro ou da Achiropita – o forte são todo tipo de salgados que nunca dispensam esses ingredientes!

E taí a receita – fácil e flash – de uma bruschetta deliciosa para saborear de aperitivo ou mesmo como entrada  – para abrir qualquer refeição informal.

RECEITA FÁCIL DE BRUSCHETTA DE CEBOLA

Fatie uma cebola – roxa ou não – e coloque sobre uma rodela de pão italiano previamente pincelada com uma pasta de tomate amassado, com um pouquinho de alho, sal e azeite.

Uma folha de manjericão e pronto! Você terá todos de joelhos, enquanto saboreiam sua receita.

 




Propósito ou legado?

A mãe de Helena, que trabalhou comigo durante mais de 25 anos, soube fazer isto. E hoje, toda a família se beneficia de seu legado. Que não foi pouca coisa, veja só.

Ela era uma mulher de poucas posses, mas de cabeça muito boa e sabia bem o que queria. Teve quatro filhas mulheres (não sei se teve homens, conheci apenas as mulheres). Durante sua vida juntou tudo o que pode para comprar um terreno espaçoso no bairro onde morava e lá construiu sua casa.

Não foi pouco sacrifício: em uma época em que o país não reconhecia o serviço doméstico, sair do aluguel e dar, não apenas estudo, mas alguns cursos extras para as meninas como datilografia, demandava foco, e muita economia.

Não a conheci, mas sempre dizia a Helena (que regula comigo em idade) que, a julgar pela filha, a mãe devia ser muito especial. E era: ao morrer, deixou para as quatro filhas, o terreno – que como disse era espaçoso o suficiente para que as 4 construíssem ali suas casas, com um quintal comum e um bom espaço para criar as respectivas famílias.

As filhas aprenderam um pouco de tudo: cozinham, costuram, mas, principalmente, entenderam a importância do espírito de união, valores familiares e lealdade. O legado da mãe lhes permitiu que criassem seus filhos com um certo conforto e juntos, uns tomando conta de outros. Assim, até hoje, a família conta com uma invejável rede de apoio entre primos e sobrinhos. Como se vê, o legado da mãe de Helena foi muito além do terreno espaçoso.

No tempo que esteve em casa comigo, Helena contava como andava a vida dos 3 filhos – que, criou, seguindo o exemplo da mãe, com pulso firme, amor e cabeça no lugar. A filha, Paula, veio me assessorar no escritório, quando eu não dava conta de escrever e viajar com palestras – e aqui ficou 17 anos.

Hoje, os filhos (todos com profissões definidas e carro próprio) também tiveram a vida virada do avesso pela pandemia como muita gente. Mas contam uns com os outros. Com o legado de valores deixado pela avó e pela mãe, estão conseguindo atravessar o tsunami.

Helena, aposentada, cedeu sua casa – grande e mais confortável para Paula, que, por sua vez cedeu a sua, menor, para a filha Ágata, que acabou de se casar. E Helena, mora com Paula, pois a alegria da vida dela é a neta Manoela.

A vida da família pode não ser um mar de rosas, (e a de quem é?) mas há uma serenidade que permeia o humor de todos eles, que é extremamente reconfortante. Sem dúvida mais um legado da matriarca. O que me leva a querer colocar, como propósito, estabelecer e deixar um legado – bora tentar?